O Instituto Nacional de Meteorologia confirmou a formação de um novo sistema atmosférico que evoluiu para o estágio de depressão tropical, mantendo-se sob vigilância permanente das autoridades meteorológicas. Segundo o organismo, o fenómeno apresenta potencial para evoluir para ciclone tropical, embora não represente, neste momento, perigo para o Canal de Moçambique nem para a costa de Moçambique.
Enquanto o sistema permanece sob monitoria, o impacto da atual época chuvosa continua a intensificar-se no país. Dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres indicam que 228 pessoas morreram desde o início da estação, em outubro, num cenário marcado por cheias, tempestades severas e ciclones tropicais sucessivos.
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Anuncie aqui!Segundo a base de dados do INGD, 863.022 pessoas foram afetadas, o equivalente a 199.493 famílias, evidenciando a dimensão humanitária da crise. Apenas as cheias registadas em janeiro provocaram 27 mortos e afetaram mais de 724 mil pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani pela província de Inhambane, nos dias 13 e 14 de fevereiro, causou quatro mortes adicionais. Antes de atingir território moçambicano, o mesmo sistema provocara 59 vítimas mortais em Madagáscar, sublinhando o caráter regional da instabilidade climática.
O balanço material confirma a gravidade da situação. As autoridades registaram 14.815 habitações parcialmente destruídas, 5.906 totalmente destruídas e 183.812 casas inundadas em todo o país. O impacto estende-se ainda ao funcionamento dos serviços essenciais, com 272 unidades sanitárias e 677 escolas afetadas, comprometendo o acesso a cuidados de saúde e à educação em várias regiões.
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anuncie aqui!Apesar da ausência de ameaça imediata associada à nova depressão tropical, o acompanhamento contínuo do sistema meteorológico ocorre num contexto de elevada vulnerabilidade estrutural, após meses de precipitação intensa e eventos extremos consecutivos. A evolução do fenómeno será determinante para avaliar se a atual crise humanitária poderá agravar-se nas próximas semanas.





