Maputo — Quase 100 mil pessoas encontram-se actualmente em centros de acomodação em Moçambique, na sequência das cheias que já afectaram 652.189 pessoas desde 7 de Janeiro, provocando 12 mortos, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). A situação tende a agravar-se no sul do país, devido ao risco iminente de colapso da barragem de Senteeko, localizada na África do Sul, no rio Crocodilo, afluente do rio Incomáti.
De acordo com a base de dados do INGD, actualizada até às 16h00, as cheias afectaram 141.317 famílias, com 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas. Registam-se ainda 45 feridos e quatro desaparecidos, num contexto em que centenas de famílias continuam sitiadas, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro, 131 pessoas perderam a vida em todo o país, 144 ficaram feridas e 779.528 pessoas foram afectadas, números que levaram o Governo a decretar o alerta vermelho nacional.
Actualmente estão activos 99 centros de acomodação, acolhendo 99.907 pessoas, das quais 19.556 foram resgatadas. As cheias afectaram ainda 229 unidades sanitárias, 364 escolas, três pontes e 1.336 quilómetros de estradas, com impacto severo na mobilidade e no acesso a serviços essenciais.
O Governo moçambicano apelou à retirada imediata das populações dos distritos mais expostos, perante a ameaça de colapso da barragem de Senteeko, cuja capacidade é considerada limitada, mas que representa um risco elevado devido ao actual volume de água e à continuação das chuvas.
O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, afirmou que as informações provenientes da África do Sul são preocupantes, justificando a necessidade de evacuação urgente de zonas como Magude, Manhiça e Ressano Garcia.
“Recomendamos a saída imediata das famílias para os centros de acomodação. É provável que o eventual colapso coincida com mais precipitação e aumento do caudal, o que pode ter impactos graves nas populações”, alertou o governante.
A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos confirmou ter recebido um alerta oficial das autoridades sul-africanas sobre a possibilidade de falha estrutural da barragem, construída no rio Crocodilo.
As cheias afectaram 285.720 hectares de área agrícola, comprometendo a produção de 214.147 agricultores, além de causarem a morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves, agravando a insegurança alimentar.
As estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis em vários troços, devido à subida do nível das águas.
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Teste GratuitoFace à gravidade da situação, a SADC enviou uma Equipa de Resposta a Emergências (ERT) para apoiar Moçambique e a África do Sul, no âmbito dos mecanismos regionais de resposta a catástrofes. A missão decorre de 23 a 31 de Janeiro de 2026.
Entretanto, um avião cargueiro da União Europeia, transportando 90 toneladas de ajuda humanitária, chega este domingo ao Aeroporto Internacional de Maputo, devendo o donativo ser recebido pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas.
A Noruega anunciou igualmente um apoio financeiro de 1,7 milhões de euros, canalizado para a OIM, a Cruz Vermelha e o Conselho Norueguês para os Refugiados, visando garantir abrigo, água potável, saneamento, busca e salvamento e assistência financeira directa às populações afectadas.
As autoridades alertam que não há previsão de melhoria significativa das condições meteorológicas a curto prazo, mantendo-se o risco elevado de novas inundações.





