De acordo com a atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), baseada em dados recolhidos entre 21 de dezembro e 13 de janeiro, as chuvas “moderadas a fortes” estão a afetar quase todo o território nacional, provocando cheias, inundações e fenómenos de erosão com impacto significativo nas comunidades.
O balanço preliminar aponta para a destruição total de 1.088 casas e danos parciais em outras 2.701 habitações, refletindo a dimensão da crise em curso.
Alerta meteorológico mantém-se até meados de janeiro
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de chuvas fortes, superiores a 50 milímetros em 24 horas, podendo atingir mais de 100 milímetros em algumas regiões, acompanhadas por trovoadas severas e ventos fortes, pelo menos até às 24h00 de 16 de janeiro.
O alerta envolve distritos das províncias de Manica e Sofala, no centro do país, e de Inhambane, Gaza e Maputo, no sul. O INAM recomenda à população a adoção rigorosa de medidas de precaução e segurança face ao risco elevado de inundações e descargas atmosféricas.
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Teste GratuitoNa cidade e província de Maputo, as autoridades reconhecem estar perante uma das piores épocas chuvosas (outubro a abril) dos últimos anos, com inundações generalizadas, sobretudo nos bairros periféricos. A situação resulta da combinação entre chuvas intensas e quase ininterruptas desde dezembro e o elevado volume de descargas das barragens, incluindo de países vizinhos.
Perante o agravamento do cenário, as autoridades moçambicanas ordenaram a retirada de populações de zonas baixas nas províncias de Gaza e Maputo, devido ao risco iminente de inundações nos próximos dias.
Segundo a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, cerca de 400 mil pessoas correm o risco de ser retiradas compulsivamente das suas áreas de residência, sobretudo na província de Gaza, uma das mais vulneráveis.
O INGD refere que o impacto poderá ser significativo nas províncias de Manica, Tete, Sofala, Inhambane, Gaza e na cidade e província de Maputo, devido à previsão de chuvas fortes com trovoadas e rajadas de vento.
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Teste GratuitoDesde o início da época chuvosa, em outubro, pelo menos 94 pessoas perderam a vida em todo o país devido às chuvas intensas, número que se agravou sobretudo a partir do final de dezembro.
O INGD indica que foram abertos 21 centros de acomodação, tendo acolhido 12.133 pessoas deslocadas. Atualmente, dez centros continuam em funcionamento, com 4.451 pessoas.
O impacto estende-se às infraestruturas sociais e económicas:
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Oito unidades sanitárias e 25 escolas afetadas;
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Três pontes, dez aquedutos e 552,5 quilómetros de estradas danificados;
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44.019 hectares de área agrícola afetados, dos quais 3.740 hectares considerados perdidos, comprometendo a atividade de 10.548 agricultores.
A Direção Executiva Sul dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou a paralisação da circulação ferroviária na Linha do Limpopo, devido às chuvas intensas registadas ao longo da semana. A medida, de caráter preventivo, visa garantir a segurança de passageiros, mercadorias e infraestruturas, estando a empresa empenhada na reposição da normalidade assim que as condições permitirem.
Face à gravidade da situação, o Governo moçambicano convocou para sexta-feira, 16 de janeiro, uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros, com o objetivo de avaliar a resposta aos eventos climáticos extremos e reforçar as medidas de mitigação.
O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou solidariedade com as populações afetadas, reconhecendo danos materiais significativos e perdas humanas em várias províncias.
Em Maputo, o político Venâncio Mondlane criticou a gestão dos fundos destinados à prevenção de desastres, afirmando que a atual crise resulta de falhas de governação e má gestão dos recursos públicos. Defendeu a responsabilização criminal de gestores públicos e anunciou a proposta de criação de um fundo nacional de emergência climática, no âmbito da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA).
Mondlane apelou ainda à mobilização coletiva para apoiar as vítimas, colocando à disposição as sedes e delegações do partido como centros de acolhimento.





