Uma operação realizada na noite de 22 de fevereiro de 2026 levou à detenção de três funcionários públicos surpreendidos a retirar produtos de assistência humanitária dos armazéns do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres na província de Gaza. As autoridades afirmam que os bens estavam a ser carregados fora do horário autorizado e que parte do material foi posteriormente encontrada nas residências dos suspeitos.
Entre os detidos estão a administradora distrital de Xai-Xai, o diretor do gabinete da governadora provincial e um fiel de armazém. O porta-voz do Sernic em Gaza explicou que os produtos apreendidos, avaliados em cerca de 300 mil meticais (aproximadamente 4.000 euros), eram destinados a apoiar populações atingidas pelas cheias recentes.
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Foram recuperadas quantidades significativas de bens essenciais, incluindo roupa usada, farinha de milho, arroz, óleo alimentar, feijão, açúcar e colchões. O Sernic admite que o esquema possa envolver outros funcionários públicos e garante que as investigações continuam. Os detidos deverão ser apresentados à justiça para as diligências legais.
O caso ocorre num momento de grande pressão social em Moçambique. As cheias registadas em janeiro provocaram 27 mortes e afetaram mais de 724 mil pessoas, com a província de Gaza entre as mais atingidas. Desde o início da época chuvosa, em outubro, o número total de vítimas mortais subiu para 239, enquanto quase 870 mil pessoas sofreram algum tipo de impacto.
Publicidade
anuncie aqui!Os efeitos das inundações estendem-se à agricultura, às infraestruturas e à segurança alimentar. Mais de 555 mil hectares de campos agrícolas foram afetados, muitos deles considerados perdidos, comprometendo o sustento de centenas de milhares de agricultores. Estradas, pontes e sistemas de abastecimento também sofreram danos significativos, dificultando o acesso a várias comunidades.
Para responder à emergência, o instituto de gestão de desastres ativou dezenas de centros de acolhimento. Embora muitos já tenham sido desativados, milhares de pessoas continuam deslocadas, dependentes de apoio público e humanitário. Neste contexto, o desvio de bens destinados às vítimas reforça preocupações sobre a gestão da ajuda e a proteção dos recursos públicos num período crítico para o país.





