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Moçambique/Economia: Moçambique aposta em ferrovia norte-sul de 7,2 mil milhões de dólares para integrar o país e impulsionar a economia

Linha de 1.500 km visa reduzir dependência rodoviária, conectar regiões produtoras e fortalecer a resiliência do transporte durante a época chuvosa

O Governo de Moçambique prepara-se para apresentar em março de 2026 o ambicioso projeto da linha ferroviária norte-sul, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares, uma das maiores iniciativas de infraestrutura do país até hoje. O anúncio foi feito pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a cerimónia de reabertura da Estrada Nacional 1 (N1), principal via terrestre do país, que havia sido interrompida por duas semanas devido às fortes chuvas.

Segundo Matlombe, os estudos preliminares e a avaliação da variação da linha ferroviária foram concluídos no ano passado, e o Governo está agora pronto para aprovar o conceito e avançar para a mobilização de recursos. “Esperamos que até ao final da época chuvosa haja novidades concretas sobre este projeto”, afirmou o ministro, sublinhando a importância estratégica da ferrovia para o país.

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A linha ferroviária será construída em fases, sendo a primeira com aproximadamente 1.500 km de extensão, ligando regiões produtoras do norte aos polos industriais e portuários do sul. Este projeto representa uma transformação histórica para Moçambique, reduzindo a dependência do transporte rodoviário, frequentemente vulnerável a enchentes, e acelerando o escoamento de produtos minerais, agrícolas e industriais. O ministro destacou ainda que a recente época chuvosa demonstrou a necessidade de uma abordagem integrada de infraestruturas, combinando estradas, ferrovias e transporte marítimo, para garantir mobilidade e resiliência em todo o território nacional.

Para além da ferrovia, o Ministério de Transportes e Logística concluiu estudos sobre uma estrada alternativa à N1, visando garantir maior segurança e continuidade do transporte durante períodos de chuvas intensas. A ferrovia não apenas oferece soluções logísticas, mas também impulsiona o desenvolvimento econômico, promovendo maior integração regional e criando oportunidades para investimentos estrangeiros em setores estratégicos, como mineração, agricultura e indústria. O projeto promete ainda gerar milhares de empregos diretos e indiretos, ao mesmo tempo que conecta regiões historicamente isoladas, promovendo desenvolvimento equilibrado e inclusão social.

A importância da ferrovia tornou-se evidente durante os recentes episódios de enchentes que afetaram a N1 e deixaram milhares de famílias isoladas. O Presidente Daniel Chapo, durante a cerimónia de reabertura da estrada, anunciou que o tráfego foi restabelecido e reafirmou o compromisso do Governo em mitigar os impactos das chuvas sobre a população e a economia. “Percorremos a N1 entre 3 de Fevereiro e Incoluane para avaliar os trabalhos e demos recomendações claras ao empreiteiro para aumentar equipamento e horas de trabalho. Hoje temos a honra de anunciar que a ligação foi restabelecida”, declarou o Presidente, destacando a ferrovia como uma solução estrutural de longo prazo.

Com os estudos preliminares concluídos, o Governo está agora pronto para mobilizar recursos públicos e privados, atraindo parceiros e investidores internacionais para a execução do projeto. A prioridade é garantir transparência, eficiência e resultados concretos para o país, consolidando a ferrovia como uma estratégia de integração nacional capaz de transformar a logística, estimular o crescimento econômico e fortalecer a resiliência diante de desastres naturais.

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