A província de Inhambane tenta regressar à normalidade após a passagem do ciclone tropical intenso Gezani, um fenómeno que, embora não tenha penetrado profundamente no território continental, deixou marcas profundas nas comunidades costeiras. As autoridades moçambicanas avançam com avaliações no terreno, enquanto equipas técnicas trabalham para restabelecer serviços essenciais e apoiar populações que passaram noites de angústia sob ventos violentos e chuvas persistentes.
Segundo a empresa pública Eletricidade de Moçambique, o ciclone afetou cerca de 132 mil consumidores, provocando a queda de dezenas de infraestruturas elétricas e deixando milhares de famílias sem energia. Até ao momento, 115 mil clientes já tiveram o fornecimento restabelecido, permanecendo ainda cerca de 17 mil sem corrente elétrica. O restabelecimento parcial do serviço foi possível após a reposição de parte dos postes derrubados e a mobilização de equipas de emergência para os distritos mais atingidos.
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Anuncie aqui!Os impactos humanos, ainda que considerados relativamente limitados face à intensidade do fenómeno, revelam a vulnerabilidade persistente das zonas costeiras. Dados preliminares do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres indicam quatro vítimas mortais, feridos e centenas de pessoas diretamente afetadas. Entre as causas das mortes registadas figuram descargas atmosféricas e a queda de árvores, ocorrências típicas em tempestades desta magnitude. Além disso, mais de 1.200 habitações sofreram danos, algumas destruídas parcialmente, outras totalmente, obrigando famílias inteiras a procurar abrigo temporário.
O ciclone também atingiu setores estruturais da vida social local. Escolas, unidades sanitárias, sistemas de abastecimento de água e edifícios públicos registaram danos significativos, interrompendo serviços básicos e comprometendo o funcionamento regular das comunidades. As autoridades reconhecem que o processo de reconstrução exigirá tempo e recursos, sobretudo num contexto em que o país ainda recupera de inundações recentes que afetaram centenas de milhares de pessoas.
O Instituto Nacional de Meteorologia confirmou que o ciclone já não representa perigo para o território moçambicano, tendo retomado trajetória em direção ao oceano. Essa evolução permitiu o encerramento dos centros de acomodação e o regresso gradual das famílias às suas residências, num processo acompanhado por equipas de assistência e avaliação de danos.
Em declarações públicas, o Presidente Daniel Chapo destacou o que descreveu como “comportamento exemplar” da população, sublinhando que o cumprimento das recomendações de evacuação contribuiu para limitar o número de vítimas. O chefe de Estado enfatizou que a prioridade passa agora pela avaliação rigorosa dos prejuízos e pela implementação de um plano de recuperação que permita restaurar infraestruturas e meios de subsistência.
Nos bairros costeiros, onde telhados arrancados e árvores derrubadas continuam visíveis, a vida recomeça lentamente. Moradores relatam noites sem dormir, o ruído constante do vento e a perda de culturas agrícolas que sustentavam economias familiares frágeis. A reconstrução material, contudo, não apaga o sentimento de exposição permanente a fenómenos climáticos cada vez mais intensos.
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anuncie aqui!A passagem do ciclone Gezani inscreve-se numa sequência de eventos extremos que têm marcado a época chuvosa na África Austral. Para Moçambique, país recorrentemente exposto a tempestades tropicais, a questão deixa de ser apenas a resposta de emergência e passa a integrar um debate mais amplo sobre resiliência climática, ordenamento territorial e proteção das populações vulneráveis.
Enquanto equipas técnicas permanecem no terreno e dados definitivos continuam por apurar, Inhambane procura recompor-se entre a urgência da assistência humanitária e o desafio mais duradouro da reconstrução. O ciclone partiu, mas as suas consequências permanecem como um lembrete concreto da fragilidade das regiões costeiras diante de fenómenos naturais cada vez mais imprevisíveis.





