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Moçambique | A manhã política do país: Presidente condena e apela à justiça enquanto liberdade de imprensa é ameaçada

Carlitos Cadangue, correspondente da STV em Manica, sobrevive a ataque armado na presença do filho; MISA e Grupo SOICO exigem investigação célere e reforço da proteção de jornalistas

Maputo, 5 de fevereiro de 2026 – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, condenou veementemente o ataque perpetrado contra o jornalista Carlitos Cadangue, correspondente da STV em Manica, ocorrido na noite de quarta-feira, em Chimoio, capital provincial. Segundo relato do próprio jornalista à DW, o episódio deixou-o em estado de pânico e traumatizado, já que se encontrava acompanhado do filho menor:

« Fiquei em pânico, traumatizado porque levava o meu filho no carro. Saímos daí e nenhum de nós conseguiu apanhar sono, a família passou a noite em branco porque não sabíamos se aquelas pessoas poderiam regressar para terminar a sua missão. »

O atentado ocorreu sob contornos que lembram um assalto, mas a expressão ouvida dos atacantes — « já está » — após rajadas de tiros contra o automóvel de Cadangue, levou-o a crer que se tratava de um ataque ligado ao seu trabalho jornalístico. Nas últimas semanas, o jornalista vinha produzindo reportagens de investigação sobre a mineração na província de Manica, destacando os impactos sociais, económicos e ambientais desta atividade.

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Segundo Cadangue, a suspensão das atividades mineiras pelo Governo, em 30 de setembro de 2025, pode ter gerado ressentimentos, especialmente entre mineradores artesanais, que se sentiram mais prejudicados com a paralisação das operações.

O MISA-Moçambique reagiu imediatamente, classificando o episódio como muito grave e exigindo que o Estado trate com seriedade as ameaças contra jornalistas. O diretor, Ernesto Nhanale, afirmou:

« Não podemos continuar a viver num país onde qualquer pessoa pode decidir colocar em risco a vida do jornalista que exerce o seu direito legítimo de informar, proteger os direitos humanos e relatar a verdade. »

Nhanale sublinhou ainda que esta situação reflete uma ausência generalizada do Estado, em que tanto cidadãos quanto jornalistas estão desprotegidos, e que o abuso de poder combinado com a inação institucional compromete o desenvolvimento e a segurança da sociedade.

A Polícia moçambicana declarou não ter pistas sobre os autores do atentado. Organizações de media nacionais condenaram o ataque, assim como a Presidência da República, que exigiu em comunicado que os responsáveis sejam levados à justiça. O Chefe de Estado reafirmou:

« Somos um país onde a liberdade de imprensa deve prevalecer, e continuaremos a combater firmemente o crime organizado, que não tem lugar em nosso território. O medo e a insegurança são inimigos da liberdade, da democracia e do desenvolvimento. »

O Grupo SOICO, proprietário da STV, expressou profunda indignação e veemente repúdio pelo atentado, destacando que o ataque constituiu uma grave ameaça à vida, à integridade psicológica da família e à liberdade de imprensa. O comunicado enfatiza que Carlitos Cadangue vinha recebendo alertas e ameaças devido ao seu trabalho, e que o ato representa uma tentativa clara de intimidar a comunicação social e instaurar um clima de medo entre jornalistas.

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Perante a gravidade dos fatos, o Grupo SOICO reafirmou a necessidade de uma investigação célere, independente, transparente e eficaz, que responsabilize os autores morais e materiais. Apelou também ao reforço imediato da proteção e segurança dos jornalistas, especialmente aqueles envolvidos em investigações de criminalidade económica, corrupção e atividades ilícitas.

O grupo concluiu reafirmando o compromisso com a verdade, o interesse público e a defesa dos direitos fundamentais, sublinhando que atacar um jornalista é atacar a democracia e que silenciar a imprensa compromete o futuro do país.

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