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Internacional/Médio-Oriente: Irão em Ebulição, os Mollahs Vacilam, mas o Regime Continua de Pé

A resposta das autoridades iranianas aos protestos populares transformou-se numa repressão letal, com centenas de mortos, comunicações cortadas e um país mergulhado no silêncio forçado.

O Irão atravessa uma das fases mais sangrentas da repressão política dos últimos anos. Há cerca de quinze dias que manifestações contra a República Islâmica estão a ser violentamente reprimidas pelas forças de segurança, num cenário que várias organizações de defesa dos direitos humanos descrevem como um massacre em curso.

Segundo dados avançados pela organização Iran Human Rights, pelo menos 648 pessoas terão perdido a vida desde o início desta nova vaga de protestos. Estes números devem, no entanto, ser analisados com cautela, uma vez que as autoridades iranianas suspenderam o acesso à Internet e bloquearam quase todas as comunicações com o exterior, tornando extremamente difícil a confirmação independente das informações divulgadas.

Este isolamento informativo permite ao regime operar longe do escrutínio internacional, impedindo a circulação de imagens, testemunhos e balanços fiáveis, ao mesmo tempo que instala um clima generalizado de medo e silêncio no interior do país.

Já em 2022, durante o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, a repressão resultou em centenas de mortos sem provocar a queda do regime. Desta vez, porém, a violência parece mais sistemática e organizada, num contexto em que o poder político se encontra enfraquecido por uma crise económica profunda e por uma pressão internacional crescente.

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As forças de segurança, incluindo os Guardas da Revolução, recorrem a armas letais, detenções em massa e intimidação das famílias das vítimas. O encerramento das redes de comunicação facilita a implementação de uma repressão ampla e coordenada, permitindo ao regime espalhar o medo e a paranoia entre os manifestantes e a população em geral.

Apesar da brutalidade da resposta das autoridades, os protestos continuam, refletindo um nível elevado de desgaste social e político. A população enfrenta uma situação económica sufocante, marcada por inflação, desemprego e empobrecimento progressivo das classes médias, o que reduz drasticamente a margem de tolerância ao autoritarismo.

O contexto internacional contribui para agravar ainda mais a tensão interna. O regresso de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos reacendeu uma política de confronto direto com Teerão. Após ataques contra infra-estruturas estratégicas iranianas e declarações públicas ameaçando represálias severas, o regime iraniano encontra-se encurralado entre a contestação interna e a pressão externa.

Ainda assim, analistas alertam que um regime que se sente ameaçado tende a intensificar a repressão, sobretudo quando considera que não tem nada a perder. A ausência de sinais de rutura no aparelho de segurança demonstra que o poder permanece disposto a manter-se pela força, mesmo à custa de um elevado número de vítimas civis.

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Para vários especialistas, o verdadeiro ponto de viragem não dependerá apenas da dimensão dos protestos, mas de uma eventual fissura nas forças de segurança, com sinais de recusa de ordens ou de fraternização com os manifestantes. Até ao momento, não há indícios claros de divisões no seio dos Guardas da Revolução, pilar ideológico e militar da República Islâmica.

Entretanto, o número de mortos continua a aumentar, longe das câmaras e fora do alcance da opinião pública internacional, num país onde a contestação política é hoje paga com a própria vida.

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