Um mês após a repressão sangrenta das manifestações contra a República Islâmica, o regime iraniano intensifica sua ofensiva contra o campo reformista, tradicionalmente tolerado pelo poder central. Nos últimos dias, os Guardiões da Revolução, braço ideológico e militar do regime, prenderam diversas lideranças do Front Reformista, incluindo a presidente Azar Mansouri e seu porta-voz Javad Emam.
Segundo a agência Fars News, próxima aos pasdaran, os líderes reformistas são acusados de “atingir a unidade nacional”, “coordenar com a propaganda inimiga” e “criar mecanismos secretos subversivos”. O jornal ultraconservador Kayhan ampliou as acusações, acusando o Front Reformista de “complicidade com Israel e os Estados Unidos”, de ter “participado das manifestações” e de “estimular sanções internacionais contra o Irã”.
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Anuncie aqui!O Front Reformista, fundado em março de 2021 por aliados do ex-presidente reformista Mohammad Khatami (1997-2005), é a principal coalizão política desse campo. Embora critique regularmente as políticas do regime, evita confrontar diretamente o líder supremo Ali Khamenei. No entanto, segundo a Voice of America, Mansouri planejava publicar uma declaração pedindo a renúncia de Khamenei para abrir caminho a uma transição política — iniciativa que foi bloqueada sob pressão dos serviços de segurança.
Diversos membros do Front haviam apoiado os manifestantes e denunciado a repressão violenta, que resultou em milhares de mortos. Alguns desses líderes foram detidos após criticar publicamente o regime ou acusá-lo de incitar a violência para justificar a repressão. O fechamento recente do diário reformista Ham-mihan reforça a percepção de um endurecimento do poder contra vozes críticas.
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anuncie aqui!Para opositores no exílio, essa onda de prisões evidencia a preocupação de Khamenei com a formação de uma oposição nacional interna, mais do que com pressões externas. Um ex-conselheiro de Mir Hossein Moussavi, candidato presidencial em 2009, afirmou ao IranWire que o líder supremo considera a situação crítica diante da crescente convergência de forças contra o regime e recusa qualquer reforma.
O jornal reformista Shargh alerta que essas detenções podem enfraquecer o presidente moderado Masoud Pezeshkian, que assumiu o poder prometendo uma abertura em relação ao Ocidente. Em um momento em que navios americanos se aproximam das costas iranianas, o diário observa que a repressão aos reformistas apenas agrava a tensão interna e prejudica o país.





