O comandante da Guarda Revolucionária do Irão, general Mohammad Pakpour, emitiu um aviso direto aos Estados Unidos e a Israel, afirmando que as suas forças estão “mais prontas do que nunca, com o dedo no gatilho”. A declaração coincide com o deslocamento de navios de guerra norte-americanos, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, para o Médio Oriente.
Segundo a imprensa iraniana próxima do governo, Pakpour advertiu Washington e Tel Aviv a “evitarem qualquer cálculo errado”, e reafirmou que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica cumprirá ordens do comando supremo a qualquer momento.
Os Estados Unidos deslocaram recentemente navios e grupos de escolta naval para o Oceano Índico como precaução contra possíveis ações militares iranianas. O presidente Donald Trump advertiu que ataques contra infraestruturas nucleares iranianas poderiam ser “muito mais severos” do que os realizados no passado.
O aumento da presença militar provocou já interrupções no tráfego aéreo, com companhias europeias como Air France, KLM e Luxair a suspenderem voos para a região devido a preocupações de segurança.
O Irão enfrenta uma onda de protestos iniciada em Dezembro, provocada pela queda do rial, moeda nacional, e agravada por dificuldades económicas. Organizações de direitos humanos relatam milhares de mortos e mais de 40.000 detenções, com risco de pena de morte para alguns manifestantes.
Autoridades iranianas descrevem parte dos detidos como “terroristas” ou “mohareb” — termo religioso que significa “inimigo de Deus” —, punível com a pena capital.
Durante uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Alto Comissário Volker Turk alertou para as declarações contraditórias do Irão sobre os detidos, destacando que o país é um dos que mais aplica pena de morte no mundo.
Enquanto isso, muralhas simbólicas em Teerão e manifestações de iranianos no estrangeiro refletem o clima de medo e revolta, reforçando a preocupação internacional sobre uma escalada militar na região.





