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Internacional/Médio-Oriente: “Eles querem matar-nos a todos”, no Irão, a repressão transforma o medo em política de Estado

Estimativas apontam para mais de 30 mil mortos em apenas dois dias, no que é descrito como o massacre mais sangrento desde a Revolução Islâmica de 1979

A dimensão da repressão que se abateu sobre a mais recente vaga de protestos no Irão continua a revelar contornos cada vez mais dramáticos. As jornadas de 8 e 9 de janeiro poderão ter sido as mais sangrentas da história do país desde a instauração da República Islâmica, com estimativas que apontam para até 36 mil mortos em apenas 48 horas. Embora estes números ainda careçam de confirmação independente, diversas fontes convergem quanto à escala inédita da violência empregue pelo regime.

Num artigo publicado a 25 de janeiro, a revista Time, citando dois altos responsáveis do Ministério da Saúde iraniano, avançou que cerca de 30 mil pessoas terão morrido apenas nesses dois dias, um salto brutal face às primeiras estimativas, que falavam em pouco mais de 3 mil vítimas mortais.

Segundo as mesmas fontes, as capacidades de inumação do Estado ficaram saturadas. Faltaram sacos mortuários, e ambulâncias terão sido substituídas por camiões de grande tonelagem, num cenário que ilustra a magnitude da tragédia humana.

O canal Iran International, órgão de comunicação social no exílio e crítico do poder dos aiatolás, apresenta um balanço ainda mais elevado, estimando em 36.500 mortos o número de vítimas nos dois dias de repressão mais intensa. O meio afirma basear-se em documentos classificados recentemente obtidos, relatórios de terreno e testemunhos de profissionais de saúde.

Apesar de os cortes prolongados de telecomunicações e de Internet dificultarem a recolha e validação dos dados, estas estimativas fornecem uma ordem de grandeza da violência exercida. Segundo o Iran International, trata-se da repressão mais sangrenta da história da República Islâmica.

Os relatos coincidem com testemunhos de médicos e enfermeiros divulgados pela imprensa internacional, que descrevem um número de vítimas largamente superior ao registado em anteriores movimentos de contestação.

“Estamos perante o pior massacre da história contemporânea do Irão”, declarou a 23 de janeiro Payam Akhavan, antigo procurador da ONU, perante o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

Apesar da multiplicidade de estimativas, o balanço final permanece incerto e deverá ser afinado nas próximas semanas. Até ao momento, duas organizações não governamentais sediadas no estrangeiroIran Human Rights (IHR) e Human Rights Activists News Agency (HRANA) – têm fornecido os dados considerados mais fiáveis pela comunidade internacional.

O último relatório da IHR, datado de 14 de janeiro, ainda não foi atualizado. Já a HRANA, num balanço divulgado a 25 de janeiro, confirmou 5.848 mortes, mantendo 17.091 casos sob investigação. A organização reporta ainda mais de 7.800 feridos graves e mais de 41 mil pessoas detidas desde o início da repressão.

Este quadro reforça a perceção de que, no Irão, a esperança que marcou os primeiros dias de protesto deu rapidamente lugar ao terror, num contexto em que o regime optou por responder à contestação popular com força letal em larga escala.

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