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Internacional/Economia: Petróleo dispara em meio à guerra no Médio Oriente: barreiras, preços históricos e riscos globais

O barril de petróleo ultrapassa 115 dólares em poucos horas, alimentando temores de um choque econômico global, enquanto países importadores, incluindo Moçambique, enfrentam pressões sobre custos de energia e inflação.

Na manhã de segunda-feira, os mercados globais assistiram a uma volatilidade histórica do petróleo, impulsionada pela prolongação da guerra no Médio Oriente, pelo bloqueio do estreito de Ormuz e pelos danos a infraestruturas energéticas. O barril de WTI, referência do mercado americano, disparou 25,3%, atingindo 113,90 dólares, depois de um pico momentâneo de 30%. O barril de Brent, referência internacional, subiu 22,99%, cotado a 114 dólares. Desde o início da ofensiva américo-israelita contra o Irã, o WTI acumulou uma valorização de 70%, um ritmo de aumento sem precedentes em tão curto período, superando até os impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

O décimo dia do conflito mantém os mercados de energia em suspense. Aproximadamente 20% da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) passa pelo estreito de Ormuz, hoje quase paralisado. Logo na reabertura das negociações após o fim de semana, o preço do barril ultrapassou 100 dólares, uma primeira vez desde julho de 2022.

Enquanto a escalada penaliza consumidores, o ex-presidente Donald Trump reagiu nas redes sociais, classificando a alta abrupta como “um pequeno preço a pagar pela paz e segurança dos EUA e do mundo”.

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Apesar de esforços dos Estados Unidos para reabrir o tráfego marítimo, com mecanismos de reasseguro de até 20 bilhões de dólares e proteção militar para navios-tanque, a circulação permanece limitada. Apenas algumas embarcações, identificadas como chinesas, conseguem atravessar. Segundo Lloyd Chan, do banco MUFG, “as perturbações no fornecimento se intensificam, confirmadas pelos dados de rastreamento, configurando um verdadeiro choque petrolífero”.

A produção regional de petróleo também sofre: a Arábia Saudita interceptou drones visando o campo de Shaybah, enquanto Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque reduziram extração, sendo o Iraque responsável por uma queda de aproximadamente 3 milhões de barris por dia. Os ataques israelitas a depósitos estratégicos no Irã aumentam ainda mais os riscos de interrupção de oferta.

Na Ásia, fortemente dependente de hidrocarbonetos do Médio Oriente, bolsas de valores registraram quedas expressivas. A Coreia do Sul, quarto maior importador de petróleo, e o Japão, quinto, enfrentam pressão direta sobre indústrias de alta energia, especialmente tecnologia. Segundo Stephen Innes, da SPI Asset Management, “os custos de produção sobem rapidamente, as expectativas de inflação aumentam e o impacto se reflete diretamente no consumo”.

A Moody’s alerta que aumentos prolongados nos preços do petróleo podem gerar inflação global, erosão do poder de compra e redução de investimentos. Pequenos sinais já aparecem: a China solicitou suspensão de exportações de diesel e gasolina, enquanto o Japão avalia liberar reservas estratégicas.

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Para o Mozambique, dependente de importações de combustíveis refinados e do transporte marítimo pelo Golfo, a alta abrupta do petróleo pode aumentar custos de energia, afetar transportes e pressionar a inflação doméstica. Setores como transporte, indústria e geração elétrica sentirão impactos diretos, enquanto o governo pode enfrentar dificuldades em manter preços controlados e garantir abastecimento regular. Além disso, o país pode sofrer efeitos indiretos sobre o comércio externo e os investimentos estrangeiros, caso o mercado global permaneça instável.

A pressão nos mercados de energia e a paralisação parcial de rotas estratégicas evidenciam a vulnerabilidade global a conflitos regionais e reforçam a necessidade de estratégias de segurança energética e diversificação de fornecimento.