Em um pronunciamento virtual, o presidente da China, Xi Jinping, abordou publicamente, de forma rara, o recente afastamento de altos oficiais do Exército de Libertação Popular (ELP), incluindo o general Zhang Youxia, considerado até então um aliado próximo do líder chinês. Zhang, de 75 anos e vice-presidente da poderosa Comissão Militar Central (CMC), foi destituído em janeiro sob a acusação de “graves violações da disciplina e da lei” — uma expressão frequentemente usada como eufemismo para corrupção.
Xi descreveu o último ano como “inusitado e extraordinário”, destacando que o exército passou por um “tempero revolucionário na luta contra a corrupção”. Em suas palavras, a ELP teria enfrentado “diversos riscos e desafios”, e muitos de seus integrantes passaram por uma “retificação política aprofundada”. Para o presidente, as tropas demonstraram lealdade ao Partido e provaram ser “capazes e confiáveis”.
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Anuncie aqui!O pronunciamento faz parte das tradicionais felicitações do Ano Novo Chinês dirigidas à ELP. É a primeira vez desde 2022 que Xi faz menção direta à corrupção em seu discurso anual, e chega após uma série de purgas que transformaram drasticamente a liderança militar do país.
Além de Zhang, o general Liu Zhenli também foi removido, somando-se à lista de nove generais de alto escalão afastados em outubro de 2025. Nos últimos três anos, 14 generais de patente plena foram investigados ou afastados, reduzindo os sete membros da CMC a apenas dois — Xi incluído.
Especialistas destacam que, embora os detalhes das acusações permaneçam vagos, as purgas têm um efeito simbólico forte. Para a população e, sobretudo, para os quadros do Partido Comunista Chinês (PCC), o objetivo é mostrar que existe um plano claro e que a disciplina interna é rigorosamente monitorada. “A linguagem em torno das purgas não detalha o que ocorre internamente — se é corrupção, disputas políticas, purgas diretas ou outra coisa. Mas o efeito é um sinal interno muito claro: consequências pesadas para quem desrespeitar as regras ou não alinhar-se às preferências do presidente”, observa o professor Chong Ja Ian, da Universidade Nacional de Singapura.
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anuncie aqui!A mensagem de Xi reforça que o combate à corrupção continua sendo pilar central de seu governo, considerado a maior ameaça ao PCC e um processo que “permanece grave e complexo”. Ao mesmo tempo, evidencia o cuidado do líder em manter a coesão política e militar, mesmo diante de mudanças profundas na cúpula do exército, num momento em que a China observa atentamente tensões internacionais crescentes.





