A elite política norte-coreana ganhou uma nova configuração com a promoção de Kim Yo-jong a diretora plena de departamento do Partido dos Trabalhadores da Coreia. O anúncio foi feito pela agência estatal KCNA, confirmando o fortalecimento institucional de uma das figuras mais influentes e discretas do regime.
Considerada há anos uma das colaboradoras mais próximas do líder norte-coreano, Kim Yo-jong ocupa agora um posto formal de maior peso na hierarquia política. Nascida no final da década de 1980, é filha de Kim Jong-il e pertence ao círculo familiar que governa o país há três gerações. Tal como o irmão, foi educada na Suíça e ganhou protagonismo após a sucessão de 2011.
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Anuncie aqui!A sua visibilidade internacional tornou-se evidente em 2018, quando representou Pyongyang nos Jogos Olímpicos de Inverno realizados na Coreia do Sul, num período de aproximação diplomática intercoreana. Desde então, o seu nome tem sido frequentemente associado a comunicados oficiais dirigidos a Washington e Seul, consolidando a sua imagem como voz política do regime.
A nomeação ocorre durante um congresso do partido no poder que reúne milhares de quadros em Pyongyang e oferece um raro vislumbre das dinâmicas internas do sistema político norte-coreano. Estes encontros, retomados sob a liderança de Kim Jong-un, funcionam como palco de legitimação do poder e definição das prioridades estratégicas do Estado.
Entre os temas centrais do congresso está o futuro do programa nuclear norte-coreano. Reeleito por unanimidade como secretário-geral do partido, Kim Jong-un deverá apresentar a próxima fase do desenvolvimento militar, num contexto de tensões persistentes com os Estados Unidos e os seus aliados regionais, incluindo o Japão.
O regime continua a justificar o investimento em armamento nuclear como garantia de sobrevivência face a ameaças externas. Desde 2006, o país realizou múltiplos testes atómicos e desenvolveu mísseis balísticos intercontinentais, enquanto enfrenta sanções internacionais severas que limitam o seu crescimento económico.
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anuncie aqui!O congresso também é marcado pela atenção crescente em torno de Kim Ju-ae, filha adolescente do líder, cuja presença pública tem alimentado especulações sobre uma possível sucessão dinástica futura.
Apesar de sinais esporádicos de abertura diplomática, incluindo contactos indiretos com o presidente norte-americano Donald Trump, Pyongyang mantém uma postura cautelosa em relação a negociações de alto nível. A ascensão de Kim Yo-jong, nesse contexto, reforça a centralidade do núcleo familiar na estrutura de poder e sublinha a continuidade política do regime.





