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Internacional/Ásia E Oceania: Pyongyang envia novos balões de lixo e ameaça Seul com “retaliação

“O último lote de balões de lixo enviado no domingo continha resíduos de papel e plástico, mas até agora não foi detectado qualquer material tóxico”, afirmou o Estado-Maior da Coreia do Sul, de acordo com a agência noticiosa Yonhap.

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As relações entre as duas Coreias estão a atingir um dos níveis mais baixos dos últimos anos. Os analistas alertam para o facto de esta escalada poder conduzir a um confronto militar em grande escala.

Em 3 de junho, Seul anunciou a suspensão da totalidade de um acordo de desanuviamento militar celebrado com a Coreia do Norte em 2018 e, no domingo, relançou a sua campanha de propaganda com altifalantes pela primeira vez desde 2016.

Nas últimas semanas, Pyongyang enviou centenas de balões carregados com resíduos como beatas de cigarro, papel higiénico e até excrementos de animais para o seu vizinho do sul, no que descreve como uma resposta à disseminação de propaganda contra o regime norte-coreano por activistas sul-coreanos, nomeadamente através de folhetos e pen drives.

A irmã de Kim e principal porta-voz do governo, Kim Yo Jong, avisou que a Coreia do Sul iria “sofrer uma amarga humilhação ao apanhar constantemente resíduos de papel e que isso seria uma tarefa diária”, num comunicado divulgado na madrugada de segunda-feira.

Kim Yo Jong descreveu os panfletos dos activistas sul-coreanos como “guerra psicológica” e ameaçou Seul com represálias se as suas campanhas não parassem, de acordo com um comunicado citado pela agência noticiosa oficial KCNA.

Se Seul “dispersar simultaneamente folhetos e difundir provocações através da fronteira por altifalantes, assistirá sem dúvida a uma nova retaliação do Norte”, acrescentou.

“Farinha”

As declarações da irmã de Kim mostram que “a Coreia do Norte está a levantar a voz para culpar a Coreia do Sul pela situação atual e para justificar as suas provocações”, disse à AFP Kim Dong-yub, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul.

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É provável que a escalada continue e que “a Coreia do Norte faça algo que está para além da nossa imaginação”, sugeriu.

Os norte-coreanos poderiam fazer “algo criativo como atirar farinha, causando pânico absoluto no Sul, o que os deixaria felizes”, disse ele, pois tal ataque poderia desencadear o medo de um ataque biológico na Coreia do Sul.

Os ataques com balões de ambos os lados da fronteira começaram quando activistas do Sul, incluindo desertores norte-coreanos, enviaram para o Norte dezenas de balões com propaganda contra o regime de Kim Jong-un e pen drives com música K-pop.

Em resposta, Pyongyang enviou mais de mil balões, alguns contendo sacos de lixo, o que, segundo Seul, viola o acordo de armistício que pôs fim às hostilidades na Guerra da Coreia de 1950 a 1953.

Em 2018, durante uma pausa nas relações, os líderes das duas Coreias concordaram em “cessar completamente todos os actos hostis”, incluindo a distribuição de panfletos e as emissões de propaganda.

O parlamento sul-coreano tentou bloquear os activistas aprovando, em 2020, uma lei que punia o envio de panfletos para o Norte, mas os activistas não pararam e a lei foi anulada pelo Tribunal Constitucional no ano passado, com o argumento de que restringia indevidamente a liberdade de expressão.

A suspensão total do acordo de 2018 permite a Seul retomar os exercícios de fogo real e relançar campanhas de propaganda contra o regime do Norte através de altifalantes ao longo da fronteira.

“É bem possível que a retoma das mensagens por altifalantes conduza a um conflito armado” e que “a Coreia do Norte volte a disparar para o Mar Amarelo ou atire contra balões se o Sul os enviar novamente”, disse à AFP Cheong Seong-chang, diretor de estratégia para a península coreana no Instituto Sejong.

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