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Internacional/Ásia: Coreia do Norte apresenta novo lançador de mísseis nucleares e desafia aliados e rivais

Kim Jong-un supervisiona o lançamento de sistema de mísseis múltiplos de 600 mm, descrevendo-o como invencível e destinado a “missões estratégicas”, enquanto analistas ponderam possíveis testes e exportação para a Rússia

O futuro da segurança no Leste Asiático voltou a ser colocado sob pressão esta semana, quando a Coreia do Norte apresentou oficialmente um lançador múltiplo de mísseis nucleares, em cerimônia supervisionada pelo próprio líder norte-coreano, Kim Jong-un. A apresentação ocorreu na quarta-feira, 18 de fevereiro, e foi amplamente divulgada pelos meios estatais, incluindo a agência KCNA, que relatou detalhes do discurso de Kim.

Durante a cerimônia, Kim destacou que o novo sistema, capaz de lançar mísseis de 600 mm, é “único no mundo” e apropriado para “ataques especiais”, um eufemismo habitual na Coreia do Norte para se referir a possíveis operações nucleares. “Se esta arma for utilizada, ninguém pode esperar a proteção de Deus”, afirmou o dirigente, sublinhando que o equipamento destina-se a um uso dissuasor e à afirmação do poder militar do regime.

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Segundo observadores internacionais, a visita de Kim à fábrica que produz os lançadores múltiplos, no mês passado, indicou que os mísseis poderiam atingir a Coreia do Sul, incluindo Seul, a menos de 50 quilómetros da linha de separação intercoreana. Especialistas apontam que a demonstração tem dupla função: reforçar a imagem de invencibilidade do regime perante o público interno e enviar um aviso estratégico a aliados e rivais, em particular os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

Além disso, analistas não descartam que a apresentação do sistema possa ser um prólogo para testes de lançamento e, eventualmente, para uma exportação a países aliados, como a Rússia, com a qual a Coreia do Norte reforçou recentemente os laços militares e tecnológicos, sobretudo no contexto da guerra na Ucrânia.

O novo lançador múltiplo representa também um avanço significativo na capacidade de ataques de precisão da Coreia do Norte, permitindo disparar vários mísseis de forma coordenada, com potencial para atingir múltiplos alvos simultaneamente. Para os especialistas em segurança internacional, esta inovação aumenta o nível de complexidade das ameaças regionais, obrigando Seul e Washington a reverem seus protocolos de defesa e sistemas de alerta rápido.

No plano interno, a cerimônia funcionou como um instrumento de propaganda para consolidar a imagem de Kim Jong-un como líder invencível, destacando o seu papel central no desenvolvimento de tecnologias militares avançadas. A retórica usada durante a apresentação, enfatizando a invencibilidade do armamento e seu caráter estratégico, reforça a narrativa oficial de que a Coreia do Norte não apenas protege seu território, mas projeta poder capaz de desafiar adversários globais.

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A comunidade internacional recebeu a notícia com preocupação crescente. Para os Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, a demonstração representa mais um desafio às iniciativas diplomáticas destinadas à desnuclearização da península coreana. Observadores europeus e norte-americanos ressaltam que, embora a Coreia do Norte apresente as armas como defensivas e dissuasoras, a combinação de tecnologia avançada e testes controlados pode alterar o equilíbrio estratégico regional, tornando qualquer provocação potencialmente mais perigosa.

Este episódio evidencia a persistente tensão entre discurso e realidade no programa militar norte-coreano. Ao mesmo tempo em que projeta invencibilidade, Kim Jong-un força aliados e rivais a reconsiderarem suas políticas de defesa, reafirmando a centralidade da Coreia do Norte no xadrez geopolítico do Leste Asiático. O impacto da apresentação vai muito além da península: especialistas alertam para riscos de proliferação tecnológica e a possibilidade de que sistemas semelhantes sejam comercializados ou partilhados com aliados estratégicos, como sugerem recentes laços com Moscou.

À medida que o mundo observa, a atenção volta-se para a resposta internacional e para o futuro da política de contenção nuclear na região. A Coreia do Norte, através desta demonstração, deixa claro que seu programa de mísseis não é apenas uma questão de defesa nacional, mas um instrumento de influência global, capaz de moldar negociações, alianças e políticas de segurança em múltiplos continentes.