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Internacional/Ásia: Assassino de Shinzo Abe recorre da prisão perpétua e reacende debate sobre a influência da seita Moon no Japão

Tetsuya Yamagami, condenado pelo assassinato do ex-primeiro-ministro japonês em 2022, apela da sentença e levanta novamente questões sobre os vínculos entre política e organizações religiosas no país.

Tetsuya Yamagami, de 45 anos, condenado pelo assassinato do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe em 2022, recorreu nesta quarta-feira da sentença de prisão perpétua, segundo a imprensa japonesa. O crime, ocorrido durante um comício eleitoral em Nara, perto de Kyoto, chocou a sociedade nipônica, onde homicídios cometidos com armas de fogo são extremamente raros.

No dia 8 de julho de 2022, Yamagami disparou contra Abe com uma arma artesanal, tirando a vida do político que havia deixado o cargo dois anos antes. O tribunal de Nara, em sua sentença de 21 de janeiro, qualificou o ato como “desprezível e extremamente malicioso”. Agora, com o recurso apresentado, a defesa tenta revisar a condenação, embora os advogados não tenham se manifestado de imediato.

O motivo do crime é amplamente relacionado à ressentimento de Yamagami contra a Federação das Famílias para a Paz Mundial e Unificação, também conhecida como a seita Moon. Ele responsabilizava a organização pela ruína financeira de sua família, após sua mãe ter feito doações de quase 100 milhões de ienes (aproximadamente 1 milhão de dólares na época). Essa ligação trouxe à tona discussões sobre a influência política da seita no Japão, especialmente sobre o Partido Liberal-Democrata (PLD), à época no poder, com vários de seus membros próximos à organização.

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Fundada em 1954 na Coreia do Sul por Sun Myung Moon, a seita rapidamente se aproximou de líderes políticos internacionais, incluindo o ex-presidente americano Richard Nixon. Shinzo Abe havia participado de eventos promovidos por grupos ligados à seita, o que motivou investigações sobre a conexão entre política e religião. O episódio levou, na ocasião, à renúncia de quatro ministros e desencadeou um exame rigoroso das práticas da organização.

Em abril de 2025, um tribunal japonês ordenou a dissolução da filial japonesa da seita Moon, destacando os “danos sem precedentes” que a organização havia causado à sociedade. O recurso de Yamagami surge em meio a esse contexto de tensão, e o caso continua a provocar debates sobre responsabilidade individual, segurança política e a interseção entre poder e influência religiosa.

O apelo do assassino de Abe reabre feridas políticas e sociais, lembrando que, mesmo em sociedades relativamente pacíficas como a japonesa, o extremismo motivado por rancores pessoais e influências religiosas pode gerar atos de violência dramáticos. Além disso, coloca novamente o foco sobre o impacto de organizações religiosas em decisões políticas, especialmente quando líderes eleitos mantêm laços com essas instituições.

O caso permanece emblemático tanto para a justiça japonesa quanto para a sociedade, reforçando a necessidade de equilíbrio entre liberdade religiosa, fiscalização política e segurança pública. A decisão sobre o recurso de Yamagami será acompanhada de perto, refletindo não apenas sobre o assassinato de Abe, mas também sobre o papel das seitas na política e na vida social do Japão contemporâneo.

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