Uma vitória clara, sem margem para ambiguidades. Logo à primeira volta, a candidata da direita Laura Fernandez venceu a eleição presidencial na Costa Rica, segundo resultados citados pelo jornal Les Echos. Apostando numa abordagem de mão dura contra a violência ligada ao narcotráfico, a candidata conseguiu convencer um eleitorado preocupado com a deterioração da segurança, num país até há pouco considerado um dos mais estáveis da região.
O seu principal adversário, o candidato do centro-direita Álvaro Ramos, obteve apenas 33% dos votos, enquanto Laura Fernandez alcançou 49,6%, superando em nove pontos percentuais o limiar necessário para vencer logo na primeira volta. Os dados, ainda provisórios, baseiam-se em cerca de 81% das mesas de voto apuradas, mas já não deixam dúvidas quanto ao desfecho do escrutínio.
Politóloga de formação e antiga ministra, Laura Fernandez venceu em seis das sete províncias do país, consolidando uma vitória de dimensão nacional. Torna-se assim a segunda mulher eleita Presidente da República da Costa Rica, depois de Laura Chinchilla Miranda, que também havia triunfado à primeira volta. A sua eleição inscreve-se numa vaga conservadora que atravessa vários países da América Latina, como Chile, Bolívia, Peru e Honduras, onde o discurso de autoridade e segurança ganha terreno.
Com 39 anos, filha de um agricultor e de uma professora, Laura Fernandez define-se como “liberal na economia e conservadora nos valores sociais”. A sua trajectória política aproxima-a do Presidente cessante, Rodrigo Chaves, conhecido pelas suas posições conservadoras e pela admiração assumida pelo Presidente salvadorenho Nayib Bukele. Longe de ser uma estreante, Fernandez foi ministra do Planeamento Nacional e das Políticas Económicas, além de ter ocupado o cargo de ministra da Presidência, o que reforça a sua imagem de governante experiente.
A segurança surge como o eixo central do seu projecto político. “Podem ter a certeza de que a segurança continuará a ser uma das principais prioridades do Governo”, garantiu, dirigindo-se directamente a Nayib Bukele. Entre as medidas anunciadas está a conclusão de uma prisão de alta segurança, inspirada no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), símbolo da política repressiva adoptada em El Salvador. O seu programa prevê ainda o agravamento de penas criminais e a suspensão temporária de certos direitos em zonas fortemente afectadas pela criminalidade.
Com esta vitória, a Costa Rica entra numa nova fase política, marcada por uma retórica de autoridade e por escolhas securitárias que rompem com a imagem tradicional de país pacífico. Resta saber até que ponto esta estratégia produzirá resultados duradouros sem comprometer os equilíbrios democráticos que sempre distinguiram o país na região.





