O México foi abalado por uma nova escalada de violência após a morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, líder de um dos mais poderosos cartéis de droga do país. O narcotraficante, de 59 anos, foi morto durante uma operação militar realizada com apoio de inteligência norte-americana, desencadeando uma reação imediata de grupos armados e obrigando as autoridades a mobilizar dispositivos de segurança para conter a instabilidade.
Considerado durante anos um dos criminosos mais procurados do continente, Oseguera comandava o Cartel Jalisco Nueva Generación, organização que se consolidou como uma das estruturas criminais mais violentas e expansivas do hemisfério. A sua morte ocorreu após um confronto na localidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, onde foi gravemente ferido antes de morrer durante o transporte aéreo para Cidade do México. Sete suspeitos morreram e três militares ficaram feridos, enquanto armas de elevado poder destrutivo foram apreendidas no local da operação.
A resposta dos grupos ligados ao cartel foi imediata e coordenada. Barricadas incendiárias, veículos em chamas e bloqueios de estradas foram registados em várias regiões do país, paralisando centros urbanos estratégicos. A cidade de Guadalajara, capital de Jalisco e um dos principais polos económicos mexicanos, viu-se temporariamente imobilizada após confrontos e incêndios provocados por homens armados, num cenário que evidenciou a capacidade de reação operacional das estruturas criminosas.
Perante a escalada de violência, pelo menos oito dos 32 estados mexicanos suspenderam as aulas presenciais, enquanto o sistema judicial autorizou o encerramento preventivo de tribunais. A presidente Claudia Sheinbaum apelou à calma e pediu à população que seguisse as orientações de segurança. O governo procurou evitar uma deterioração adicional da ordem pública, ao mesmo tempo que reforçou patrulhas e operações de contenção em áreas consideradas críticas.
A operação que resultou na morte de Oseguera contou com apoio de inteligência norte-americana, confirmando o aprofundamento da cooperação bilateral no combate ao narcotráfico. A administração do presidente Donald Trump tem pressionado o México a permitir maior participação operacional dos Estados Unidos contra os cartéis, uma proposta que o governo mexicano continua a rejeitar em nome da soberania nacional.
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anuncie aqui!A dimensão internacional do episódio refletiu-se rapidamente. Autoridades norte-americanas recomendaram que os seus cidadãos permanecessem abrigados em várias regiões mexicanas, incluindo destinos turísticos relevantes. Companhias aéreas cancelaram voos e países vizinhos reforçaram a vigilância nas fronteiras, sinalizando receios de repercussões transnacionais de uma crise que ultrapassa o território mexicano.
Fundado em 2009, o Cartel Jalisco Nueva Generación expandiu-se para além das rotas tradicionais do narcotráfico, diversificando operações e mercados. O grupo é acusado de tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil, além de extorsão, tráfico de migrantes e exploração ilegal de recursos. A sua classificação como organização terrorista pelos Estados Unidos em 2025 consolidou a perceção do seu alcance global e da sua sofisticação operacional.
A morte de “El Mencho” foi celebrada por autoridades norte-americanas como uma vitória estratégica, mas especialistas alertam que a eliminação de líderes raramente desmantela estruturas criminosas profundamente enraizadas. O histórico recente do México demonstra que a fragmentação de cartéis tende a gerar disputas internas, reconfigurações territoriais e novos ciclos de violência.
Desde 2006, a violência associada ao narcotráfico provocou mais de 450 mil mortes e mais de 100 mil desaparecimentos no país, segundo dados oficiais. A eliminação de uma figura central do crime organizado representa um marco simbólico, mas também evidencia a complexidade de um conflito que combina segurança pública, economia ilegal e dinâmicas geopolíticas que continuam a desafiar o Estado mexicano.





