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Internacional/América do Norte: Negociações nucleares EUA-Irã recomeçam na Suíça enquanto tensão regional aumenta

Com os Estados Unidos pressionando por um acordo imediato, o Oriente Médio permanece em alerta, temendo uma escalada militar caso as negociações fracassem.

As negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã estavam programadas para reiniciar na terça-feira em Genebra, Suíça, em meio a um clima de intensa apreensão regional sobre a possibilidade de um ataque americano caso o diálogo não resulte em acordo.

Entre os participantes esperados estão Steve Witkoff, enviado americano para o Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump, segundo dois funcionários norte-americanos que pediram anonimato devido à sensibilidade das negociações. Ambos estiveram à frente de iniciativas diplomáticas de Trump, especialmente na região.

Em declarações à imprensa a bordo do Air Force One, Trump afirmou que participaria indiretamente das conversas, classificando-as como “muito importantes”. Ele ressaltou que o Irã estaria motivado a fechar um acordo, dado que as consequências de não fazê-lo seriam severas.

Nos últimos meses, o governo Trump ordenou um aumento da presença militar americana na região, incluindo dois porta-aviões, após prometer apoio aos manifestantes antigovernamentais iranianos. Os protestos foram subsequentemente reprimidos de forma violenta, resultando em milhares de mortos, de acordo com organizações de direitos humanos.

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Agora, Trump pressiona o Irã a alcançar um acordo imediato, sob ameaça de uma possível ação militar. Na semana anterior, o ex-presidente escreveu nas redes sociais que preferia um acordo, mas, se não fosse possível, “veremos qual será o resultado”.

Países da região manifestam preocupação com o risco de um ataque americano e de uma retaliação iraniana que poderia envolver Israel, desestabilizando o Oriente Médio e colocando em perigo aliados dos EUA no mundo árabe.

Até o momento, não está claro se Estados Unidos e Irã conseguirão encontrar um compromisso que evite a escalada militar. As negociações também devem abordar o programa de mísseis balísticos do Irã e seu apoio a milícias na região, questões que o governo iraniano demonstra pouca disposição em flexibilizar.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já estava em Genebra para encontros preliminares com o ministro de Omã, que sediou a primeira rodada de negociações entre os dois países no início de fevereiro. Araghchi afirmou em suas redes sociais estar na Suíça com “ideias reais para alcançar um acordo justo e equitativo”. Ele acrescentou que “não está em negociação a submissão sob ameaça”.

Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou exercícios navais no Estreito de Hormuz, demonstrando capacidade militar e preparando o país para possíveis confrontos, conforme informou a agência semioficial Tasnim.

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Apesar da postura firme, o Irã enfrenta pressão econômica significativa, agravada por sanções internacionais que têm alimentado protestos contra o governo autoritário. Em 2025, tentativas de negociação fracassaram, resultando em uma campanha militar israelense contra instalações nucleares iranianas, seguida de ataques de bombardeiros stealth americanos. Embora Trump tenha anunciado inicialmente a destruição total do programa nuclear iraniano, a inteligência americana constatou que ele havia sido apenas seriamente danificado, não eliminado.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que se reuniu com Trump em Washington, afirmou que o ex-presidente acredita que o Irã “compreende que perdeu a oportunidade na última rodada de negociações”. Netanyahu, porém, se mostrou cético quanto à possibilidade de um acordo abrangente, exigindo que qualquer pacto inclua proibição da enriquecimento nuclear, restrições rigorosas a mísseis balísticos e fim do apoio a milícias como Hamas e Hezbollah.

Com o Oriente Médio em alerta e a pressão política e militar crescente, a retomada das negociações em Genebra será observada de perto, enquanto analistas e governos internacionais ponderam sobre os riscos de um possível conflito em escala regional.