A Somália anunciou, na segunda-feira, 12 de janeiro, a anulação de todos os acordos firmados com os Emirados Árabes Unidos (EAU), numa medida que poderá ter profundas implicações políticas e geopolíticas para a região. A decisão surge duas semanas após Israel reconhecer o Somaliland e depois de relatórios indicando que os Emiratis terão utilizado território somali para exfiltrar um líder separatista iemenita.
Segundo comunicado do Conselho de Ministros somali, recebido pela AFP, “após avaliação cuidadosa dos acontecimentos recentes e no exercício da autoridade constitucional, foram anulados todos os acordos com os Emirados Árabes Unidos”. A medida abrange acordos bilaterais de cooperação em segurança e defesa, bem como os estabelecidos com administrações regionais.
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Anuncie aqui: clique já!O governo somali afirma que a decisão se baseia em relatórios credíveis e provas de ações hostis que ameaçam a soberania nacional, a unidade territorial e a independência política do país. Um alto responsável do palácio presidencial acrescentou que os Emirados continuam a interferir nos assuntos internos da Somália, mantendo uma política de dupla face e má conduta, sem fornecer detalhes adicionais.
Entre os afetados estão os portos estratégicos de Berbera (no Somaliland), Bossasso (no Puntland) e Kismaayo (no Jubaland), todos com participação ou gestão de empresas emiratis. A anulação destes acordos tem potencial para reestruturar o equilíbrio político e económico na Somália, bem como afetar rotas comerciais e acesso a portos vitais.
O Somaliland, situado no noroeste da Somália, representa mais de um quarto do território que o governo federal reivindica. Desde a sua autoproclamação em 1991, o território mantém moeda própria, forças armadas e polícia, e apresenta relativa estabilidade comparado à Somália, afetada por insurgência islâmica e conflitos políticos crónicos.
Israel tornou-se, a 26 de dezembro, o primeiro país a reconhecer o Somaliland como Estado independente, medida que os Emirados Árabes Unidos não condenaram, ao contrário da Arábia Saudita. Especialistas consideram que os EAU desempenharam um papel decisivo neste reconhecimento, reforçando tensões diplomáticas entre Mogadíscio, Israel e os Emirados.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iémen revelou ainda que o chefe dos separatistas iemenitas, apoiados pelos EAU, foi exfiltrado para Abu Dhabi através dos portos de Berbera e Mogadíscio. A Agência de Migração somali investiga a possível utilização não autorizada do espaço aéreo e aeroportos nacionais, um episódio que acentua a crise de confiança e as tensões internacionais.
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Anuncie aqui: clique já!Historicamente aliados na luta contra os rebeldes Houthi no Iémen, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão agora em conflito indireto, com divergências também no Sudão. Esta situação evidencia um reordenamento geopolítico no Chifre de África e na Península Arábica, onde interesses estratégicos, controlo de portos comerciais e alianças regionais se cruzam com rivalidades políticas.
O impacto da decisão somali pode afetar a estabilidade regional, comprometer investimentos estrangeiros e influenciar futuras negociações diplomáticas, tornando a Somália um ponto estratégico de tensão entre grandes atores regionais.





