Uma sobrevivente de abuso sexual por Jeffrey Epstein apelou ao Palácio de Buckingham para que examine ativamente todos os arquivos e e-mails relativos à relação do príncipe Andrew Mountbatten-Windsor com o financista condenado. Juliette Bryant, de 43 anos, disse à BBC que acolhe com satisfação a recente declaração do rei Charles III, que afirmou estar “pronto para apoiar” a polícia nas investigações sobre as alegações contra o seu irmão.
No entanto, Bryant, que afirmou ter sido abusada por Epstein nos anos 2000, pediu que a Família Real faça mais do que declarações, assumindo um papel ativo na investigação. “É ótimo que tenham feito uma declaração, finalmente. Mas a questão é: vão realmente agir sobre isso?”, questionou. A sobrevivente acrescentou que tanto ela como outras vítimas estariam dispostas a ser contactadas pelo Palácio, expressando o desejo de ver ações concretas.
Bryant não conheceu Andrew e não fez qualquer alegação direta contra ele. Um porta-voz do Palácio afirmou anteriormente que o rei tinha “manifestado profundo preocupação” face às alegações sobre o príncipe. Andrew tem negado repetidamente qualquer conduta imprópria em relação à sua amizade com Epstein.
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Anuncie aqui!A sobrevivente relatou que as autoridades já analisaram todas as suas informações relativas ao contacto com Epstein e sublinhou que é chegada a hora de examinar os arquivos do príncipe Andrew, dada a amizade dele com o criminoso. “Acredito que deveriam divulgar informações se não tiverem nada a esconder”, disse Bryant.
O Palácio reiterou que, embora as alegações específicas devam ser respondidas por Andrew, estão prontos para apoiar a polícia, caso sejam contactados, e enfatizou que os pensamentos e simpatias da Família Real permanecem com as vítimas de qualquer forma de abuso.
Amy Wallace, coautora da biografia de Virginia Giuffre, também saudou a resposta do Palácio, considerando que agora há um apontamento direto a Andrew, em contraste com declarações anteriores mais gerais. Contudo, Wallace expressou dúvidas de que o príncipe concorde em testemunhar nos EUA sobre sua relação com Epstein, acrescentando que apenas uma instrução do rei Charles poderia levá-lo a isso.
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anuncie aqui!Recentemente, mais de três milhões de documentos relacionados a Epstein foram divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Entre os arquivos, aparecem fotografias de Andrew, totalmente vestido, ajoelhado sobre uma mulher no chão. Outros materiais sugerem que ele teria compartilhado informações confidenciais do seu trabalho como enviado comercial em 2010 e 2011.
Bryant recordou que conheceu Epstein aos 20 anos, num restaurante em Cape Town em 2002, e que foi abusada várias vezes em sua ilha privada e na sua fazenda no Novo México entre 2002 e 2004. Ela descreveu a experiência como sentir-se “um rato assustado à volta de uma cobra”, ressaltando a manipulação do abusador.
A sobrevivente também destacou o papel central de Ghislaine Maxwell em seu abuso, afirmando que ela não deveria ser libertada da prisão. Maxwell cumpre atualmente uma pena de 20 anos por tráfico sexual e recentemente recusou responder a perguntas numa audiência do Congresso dos EUA, sendo representada por advogados que condicionaram qualquer depoimento a uma eventual clemência. “Ela estava frequentemente lá [na ilha], mas eu tinha muito medo dela. Era quase como se estivesse a comandar o lugar. Muito educada e confiante, e eu estava petrificada”, acrescentou Bryant.





