No Congo-Brazzaville, a eleição presidencial marcada para 15 de março de 2026 coloca novamente Denis Sassou-Nguesso, com 82 anos, no centro da campanha. Líder do país por 41 anos cumulativos, o presidente-candidato busca prolongar seu mandato por mais cinco anos. Seu campanha afirma ter criado as bases para o desenvolvimento econômico, prometendo que os próximos anos serão dedicados à mobilização de recursos para impulsionar a economia e financiar políticas sociais.
Segundo Anatole Collinet Makosso, porta-voz da campanha e atual chefe de governo, “após a fase de resiliência, é o momento da relança. Resta-nos mobilizar recursos adicionais para financiar o social, a economia e o desenvolvimento”. Para o campamento presidencial, os avanços macroeconômicos realizados nos últimos anos justificam a continuidade do mandato.
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Anuncie aqui!Do outro lado, os opositores questionam veementemente esses resultados. Destin Gavet, candidato do Movimento Republicano, afirma que os slogans do governo não se traduzem em melhoria concreta da vida das famílias. “O povo ainda vive na pobreza. Não se pode, após 41 anos, repetir os mesmos discursos sem resultados palpáveis”, critica.
O acadêmico e candidato independente Vivien Romain Manangou, líder da plataforma “Les Mécontents”, reforça a contestação. Para ele, a crescimento econômico estimado entre 2,3 e 2,6% é insuficiente e depende principalmente do desempenho das exportações de petróleo. “A dívida caiu apenas devido ao reprofilamento. Não houve política séria de gestão das finanças públicas”, sustenta, pedindo debates contraditórios antes da eleição.
Além das questões econômicas, a eleição enfrenta críticas sobre sua transparência. Membros da sociedade civil e da oposição denunciam o pleito como um “simulacro” e um “scrutínio jogado de antemão”, no qual Sassou-Nguesso seria o vencedor anunciado. Muitos partidos não apresentaram candidatos, alegando que as condições de uma eleição livre e justa não estão presentes. Anatole Collinet Makosso rebate essas alegações, qualificando-as como fruto de falta de preparação e de peso político dos opositores. “Não nos ocupamos das polêmicas de salão. Não há eleição ganha de antemão”, afirma.
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anuncie aqui!Outro ponto crítico que emerge nesta campanha é a questão da segurança e dos direitos humanos. A Observatório Congolês dos Direitos Humanos (OCDH) solicita que todos os candidatos se manifestem sobre a operação de combate aos chamados “bébés noirs” ou “kulunas”, conduzida pela guarda presidencial desde setembro. Parfait Moukoulou, presidente do OCDH, denuncia 70 casos de desaparecimentos documentados de jovens, destacando o clima de medo gerado por essas ações. “Os pais não sabem onde seus filhos estão detidos. É necessário que os candidatos assumam compromissos claros sobre direitos humanos e desaparecimentos forçados”, alerta.
Entre o debate sobre desenvolvimento econômico, alternância política e segurança urbana, a campanha presidencial de 2026 no Congo-Brazzaville revela um país dividido entre a continuidade de um líder histórico e o clamor por mudanças. O resultado da eleição promete não apenas definir a trajetória política do país, mas também colocar sob escrutínio questões centrais de direitos humanos e justiça social.





