YOKOHAMA (Japão) – O Japão acolheu líderes africanos na quarta-feira para uma conferência de desenvolvimento de três dias, apresentando-se como uma alternativa à China, enquanto o continente enfrenta uma crise de dívida agravada pelos cortes na ajuda ocidental, conflitos e mudanças climáticas.
Entre os participantes da Conferência Internacional de Desenvolvimento Africano (TICAD) estavam o Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o Presidente do Quénia, William Ruto, e o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.
O gabinete de Ramaphosa declarou que “a crise da dívida e de liquidez no continente africano está a agravar o ambiente socioeconómico e a limitar o espaço fiscal dos governos para proteger os seus cidadãos“.
Nos últimos dez anos, a China investiu fortemente em África, com empresas chinesas a assinarem contratos no valor de centenas de bilhões de dólares, financiando portos, ferrovias, estradas e outros projetos no âmbito da iniciativa global de infraestruturas Belt and Road de Pequim.
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Anuncie aqui!No entanto, o novo financiamento está a secar, e os países em desenvolvimento enfrentam agora uma “onda de dívida” para com Pequim e credores privados internacionais, segundo o Lowy Institute, think tank australiano. Os países africanos também sofreram cortes na ajuda ocidental, em particular após o desmantelamento da USAID pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump.
A TICAD devia abordar futuros acordos de livre comércio entre o Japão e nações africanas, garantias de empréstimos e incentivos para empresas japonesas, segundo a imprensa local.
No entanto, a maior câmara empresarial japonesa, Keidanren, alertou que Tóquio precisa de conquistar a confiança das nações em desenvolvimento. “Ao contribuir ativamente para a resolução dos problemas sociais enfrentados pelos países do Sul Global, o Japão deve ser escolhido como parceiro confiável“, declarou em recomendações políticas em junho.
O Primeiro-Ministro japonês, Shigeru Ishiba, destacou o potencial de África, com a sua população jovem e recursos naturais. “Discutiremos como aproveitar estes recursos humanos e materiais como fonte de vitalidade e ligá-los ao crescimento do Japão e à prosperidade mundial“, afirmou.
“Em vez de nos concentrarmos nas nossas próprias necessidades, queremos identificar cuidadosamente as necessidades dos nossos parceiros e conquistar a sua confiança, cumprindo assim o nosso papel como nação“, acrescentou Ishiba.
Na conferência – a nona desde 1993 – Ishiba propôs a criação de uma “zona económica” que englobe a região do Oceano Índico e África, segundo a agência Kyodo News.
O Japão comprometeu-se ainda a formar 30.000 especialistas em inteligência artificial nos próximos três anos, com o objetivo de promover a digitalização industrial e a criação de empregos, informou a Kyodo.




