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Internacional/África: Gabão bloqueia redes sociais, Internet se torna nova arma de controle político na África

Enquanto o presidente Brice Oligui Nguema enfrenta suas primeiras manifestações, a suspensão das plataformas digitais evidencia a tendência crescente de regimes africanos em controlar o fluxo de informação.

No Gabão, as autoridades anunciaram, na terça-feira, 17 de fevereiro, a suspensão das redes sociais “até novo aviso”, alegando a disseminação de conteúdos considerados inapropriados, difamatórios e de ódio. A medida foi comunicada pela Alta Autoridade de Comunicação (HAC) do país através do canal público Gabon 1ère, em meio à primeira onda de contestação social enfrentada pelo presidente Brice Oligui Nguema desde sua eleição em abril de 2025, apenas dezenove meses após o golpe de Estado que depôs Ali Bongo, em agosto de 2023.

O porta-voz da HAC, Jean-Claude Mendome, explicou que a decisão visa conter a difusão de informações falsas, cyberbullying e a divulgação não autorizada de dados pessoais, que poderiam desestabilizar as instituições da República e colocar em risco a unidade nacional e os avanços democráticos. Apesar de a suspensão não ter sido imediatamente efetiva durante a noite de terça para quarta-feira, o episódio evidencia uma tendência crescente no continente: o uso de interrupções de Internet como ferramenta de controle político.

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O Gabão, país de 2,3 milhões de habitantes, rico em petróleo e manganês, enfrenta uma crise econômica severa, com taxa de desemprego jovem de 37%, segundo o Banco Mundial, e problemas frequentes nos serviços essenciais, como água, eletricidade e transporte ferroviário. A agência de classificação Fitch rebaixou a nota do país para CCC− em dezembro de 2025, prevendo que a dívida pública alcance quase 87% do PIB em 2027. Nesse contexto, a restrição ao acesso às redes sociais adquire ainda mais relevância, limitando a capacidade dos cidadãos de se informar e se organizar.

O caso do Gabão não é isolado. Diversos países africanos já recorreram a cortes de Internet durante períodos de tensão política ou social. Em 2023, o Níger suspendeu o acesso às redes durante protestos contra o governo. Na Etiópia, em 2022, durante a guerra na região de Tigré, o governo restringiu o uso das plataformas digitais para conter a circulação de mensagens de mobilização. O Uganda bloqueou redes durante as eleições de 2021, alegando risco de instabilidade, enquanto o Camarões manteve o acesso à Internet cortado por meses nas regiões anglófonas em 2017-2018, em resposta a protestos contra o governo central.

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Essa prática revela um equilíbrio delicado entre segurança e liberdade de expressão, onde os governos justificam o bloqueio como proteção contra a desinformação, mas, ao mesmo tempo, privam os cidadãos de informações essenciais em áreas como saúde, educação e economia. No Gabão, onde a economia atravessa graves dificuldades, o acesso à Internet é vital para compreender a realidade e organizar a sociedade civil.

A tendência é clara: as redes sociais se tornaram um campo de batalha pelo controle da informação. Para os governos africanos, representam tanto um risco de contestação quanto uma ameaça à autoridade. Para os cidadãos, continuam sendo espaços de liberdade, embora frágeis e constantemente ameaçados. O caso do Gabão ilustra de maneira emblemática como o acesso à informação digital se tornou uma questão central na dinâmica política contemporânea africana, sinalizando que os regimes estão cada vez mais atentos ao poder transformador das plataformas digitais.

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