Gueta Chapo, presidente da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), apelou recentemente à redução da dependência da organização em relação a financiamentos externos. Em declarações tornadas públicas, a dirigente sublinhou a importância de construir mecanismos próprios de sustentabilidade que permitam à OMM planear e executar actividades sem recorrer sistematicamente a doações ou parcerias com financiamento condicional. A posição surgiu no contexto de debates sobre o papel das associações de mulheres na agenda social e política do país.
A defesa da autonomia financeira, segundo a líder, passa por repensar fontes de receita, capacitar quadros para gestão financeira e promover projectos com viabilidade económica. Gueta Chapo vinculou estas medidas à necessidade de preservar a independência política e programática da organização, evitando que apoios externos determinem prioridades locais. A mensagem tem repercussões imediatas sobre a forma como a OMM e entidades congéneres planeiam intervenções comunitárias e advocacy em matérias de género e cidadania.
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Anuncie aqui!O apelo à autossuficiência surge num momento em que muitas organizações da sociedade civil enfrentam quebras de financiamento ou condicionamentos por parte de doadores internacionais. Para a liderança da OMM, depender exclusivamente de fundos externos pode fragilizar a continuidade de programas essenciais e limitar a capacidade de resposta a necessidades emergentes das mulheres nas comunidades. A proposta de Gueta Chapo é, portanto, também uma proposta de gestão que busca dar maior previsibilidade às acções da organização.
As estratégias para alcançar essa autonomia económicas sugeridas pela direcção incluem a diversificação de fontes de receita, o fortalecimento de parcerias locais e a promoção de actividades geradoras de rendimento que possam sustentar projectos sociais. A adopção de modelos de governança mais transparentes e a capacitação de estruturas distritais e provinciais da OMM aparecem como passos complementares. Estas medidas exigem aposta em formação, planeamento e, em alguns casos, investimentos iniciais que a própria liderança reconhece como um desafio.
Num plano mais amplo, a chamada de atenção da presidente toca também questões de confiança pública e credibilidade institucional. Constituir fontes próprias de financiamento pode fortalecer a relação com associadas e com as comunidades locais, ao demonstrar compromisso com prioridades definidas internamente. Além disso, a redução de dependência externa facilita que a OMM mantenha coerência entre as suas propostas programáticas e as necessidades sociais que observa no terreno, sem pressões para alinhar-se a agendas exteriores.
Por outro lado, especialistas e membros de outras organizações alertam para os limites dessa transição: a construção de autonomia financeira não é instantânea e exige tempo, recursos e, por vezes, medidas intermédias de apoio técnico. Há também sectores onde o investimento privado ou a cobrança de taxas podem ser impraticáveis sem comprometer o acesso de beneficiárias mais vulneráveis. Assim, qualquer plano de autossustentação terá de conciliar viabilidade económica com equidade e missão social.
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Anuncie aqui!A discussão sobre financiamento e independência das associações de mulheres coloca-se igualmente no campo das políticas públicas. Para muitas organizações, a colaboração com o Estado — por meio de contratos de prestação de serviços, subvenções ou parcerias em programas sociais — pode ser uma via para gerar receitas estáveis. Contudo, esse tipo de relações requer salvaguardas para evitar captura política e garantir que a missão cívica da organização se mantém intacta. A OMM, ao refletir sobre as suas fontes, terá de equilibrar autonomia financeira e autonomia política.
Internamente, a direcção da OMM terá de abordar ainda a questão da mobilização das próprias filhas e sócias como base de sustentação. Contribuições associativas, campanhas de angariação de fundos locais, micro-emprendimentos comunitários e prestação de serviços formativos pagos são opções frequentemente apontadas em processos de reestruturação financeira. Cada uma destas soluções implica desenho administrativo adequado, transparência na gestão e comunicação clara com membros e beneficiárias sobre os fins a que se destinam os recursos.

A liderança da OMM defende igualmente que o reforço da capacidade institucional — incluindo sistemas de contabilidade, planos de negócio para actividades geradoras de rendimento e mecanismos de monitoria — é indispensável para convencer parceiros locais e investidores a apoiarem iniciativas com fins sustentáveis. Fortalecer essas capacidades pode abrir portas a financiamentos com menos condicionalidades ou a oportunidades de cofinanciamento que respeitem a agenda da própria organização. Tratam-se de passos que, segundo a direcção, vão além da mera angariação de fundos e tocam a qualidade da gestão.
Num plano prático, a concretização destas propostas exigirá diálogo alargado com as bases da OMM, clarificação de prioridades e calendários realistas para a implementação de novas fontes de receita. A comunicação transparente sobre metas financeiras e programas é igualmente essencial para manter a coesão interna e a confiança das comunidades apoiadas. A liderança terá ainda de negociar o equilíbrio entre atender necessidades imediatas e investir em projectos que só produzam retorno a médio ou longo prazo.
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Anuncie aqui!Para observadores do sector, o anúncio da presidente da OMM abre uma janela de oportunidade para reavaliar modelos de sustentabilidade nas organizações de base em Moçambique. A experiência mostra que iniciativas bem-sucedidas combinam várias fontes de receita e apostam na profissionalização da gestão, na inovação de serviços e na mobilização comunitária. A OMM, com uma história e capilaridade que lhe conferem legitimidade, tem potencial para experimentar abordagens que possam servir de referência para outras estruturas dedicadas à promoção dos direitos das mulheres.

Em última análise, o desafio colocado por Gueta Chapo é tanto estratégico quanto político: trata-se de assegurar que a voz e as prioridades das mulheres moçambicanas são definidas e mantidas por elas próprias, com recursos e instrumentos que permitam autonomia de acção. Esse trajecto não é linear e exigirá compromisso da liderança, das associadas e de parceiros que reconheçam o valor de uma organização autónoma. O debate que se segue terá impacto na forma como a OMM intervém nas próximas campanhas, programas e lutas em defesa dos direitos de género.
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Anuncie aqui!A mensagem de Gueta Chapo serve também de convite à reflexão mais ampla sobre sustentabilidade no sector social. Ao apontar para a necessidade de independência financeira, a presidente da OMM traz para o centro do debate questões de gestão, ética e eficácia institucional que muitas organizações enfrentam no país. A capacidade de transformar esse apelo em medidas concretas e replicáveis será determinante para que a OMM mantenha relevância e continuidade na promoção dos direitos e bem‑estares das mulheres em Moçambique.



