Uma dezena de dirigentes europeus reunir-se-ão nesta segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025 em Paris para discutir a segurança na Europa e o conflito na Ucrânia, enquanto Washington critica a UE e procura negociar diretamente com Moscovo para pôr fim à guerra.
O presidente francês Emmanuel Macron receberá “os principais países europeus” para discussões sobre “a segurança europeia”, disse domingo o chefe da diplomacia francesa Jean-Noël Barrot na rádio France Inter.
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Anuncie aqui!“No seguimento, o Eliseu informou que participarão desta “reunião informal”, na parte da tarde, “os chefes de governo da Alemanha, do Reino Unido, da Itália, da Polônia, da Espanha, dos Países Baixos e da Dinamarca, assim como o presidente do Conselho Europeu, a presidente da Comissão Europeia e o secretário-geral da OTAN”.
“O trabalho deles poderá depois continuar em outros formatos, com o objetivo de reunir todos os parceiros interessados na paz e segurança na Europa”, precisou a presidência francesa.
Esta reunião acontece num momento particularmente delicado na relação transatlântica, enquanto as iniciativas de Donald Trump, que retomou o diálogo com o presidente russo Vladimir Putin, preocupam os europeus.
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Teste GratuitoO presidente norte-americano anunciou esta semana que se encontraria com seu homólogo russo na Arábia Saudita para iniciar negociações sobre a Ucrânia, onde a guerra desencadeada pela invasão russa completará no dia 24 de fevereiro o seu quarto ano.
Discussões “nas costas” dos europeus
A Conferência de Segurança de Munique (Alemanha), que decorreu de sexta a domingo, foi marcada por um discurso hostil do vice-presidente norte-americano JD Vance contra a União Europeia, acusada, entre outras coisas, de não respeitar a “liberdade de expressão”, e pela confirmação de que os americanos consideram realizar negociações sobre a Ucrânia sem a participação dos europeus.
Interrogado em Munique sobre a eventual participação dos europeus, o enviado especial de Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, respondeu: “Eu sou da escola realista, acho que isso não vai acontecer”.
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Anuncie aqui!Ainda em Munique, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apelou aos seus aliados para se fortalecerem, a fim de evitar um acordo forjado pelos americanos “nas costas” da Ucrânia e da Europa.
Donald Trump “não mencionou uma única vez que a América precisa da Europa à mesa das negociações”, alertou Volodymyr Zelensky. “Trump não gosta de amigos fracos, ele respeita a força”, destacou.
“Somente os ucranianos podem decidir parar de lutar e nós os apoiaremos até que tomem essa decisão”, garantiu Jean-Noël Barrot no domingo.
Os ucranianos “nunca pararão enquanto não tiverem certeza de que a paz que lhes é proposta será duradoura” e que terão garantias de segurança.
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Teste Gratuito“Inútil dialogar”
“Quem trará as garantias? Serão os europeus”, disse o chefe da diplomacia francesa, enfatizando que “sim, os europeus serão de alguma forma parte das discussões” para pôr fim à guerra na Ucrânia.
“O papel dos Estados Unidos é fazer Putin negociar”, e eles acreditam que “conseguirão isso através de uma mistura de pressão e diálogo”, prosseguiu M. Barrot.
“Nós, há muito tempo, entendemos que é inútil dialogar e, na minha opinião, eles vão perceber rapidamente que só a pressão será capaz de levar Putin à mesa de negociações”, afirmou.
Os chefes da diplomacia francesa, alemã, polonesa, italiana, espanhola, britânica e ucraniana reuniram-se na quarta-feira em Paris.
Na ocasião, ficaram estupefatos ao saber que Donald Trump teve uma conversa de uma hora e meia com Vladimir Putin, que está isolado das nações desde a invasão russa da Ucrânia.Os ministros afirmaram, em uníssono, que não haverá decisão sobre a Ucrânia sem Kiev nem sem eles, mas os europeus têm dificuldades em fazer sua voz ser ouvida.



