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Encerramento da produção da Mozal ameaça economia moçambicana

Governo admite impacto significativo caso a maior fábrica do país suspenda a produção de alumínio devido ao elevado custo da eletricidade.

O governo moçambicano reconheceu que a suspensão da produção de alumínio na Mozal, localizada nos arredores de Maputo, poderá ter um impacto significativo na economia nacional, sobretudo devido às ligações da fábrica com uma vasta rede de empresas que fornecem bens e serviços ao complexo industrial.

A Mozal é considerada a maior empresa industrial de Moçambique. No entanto, o seu principal acionista, a empresa australiana South32, afirma que já não consegue manter a produção nas condições atuais, sobretudo devido ao custo elevado da eletricidade, principal insumo na produção de alumínio.

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Há vários meses decorrem negociações entre a empresa e o governo sobre o preço da energia, mas até agora não foi alcançado qualquer acordo. A Mozal sustenta que a produção deixará de ser rentável se continuar a pagar a eletricidade ao preço atual. Já o governo considera que as propostas da empresa equivalem, na prática, a um pedido de subsídio estatal para beneficiar a South32.

Diante do impasse, a fábrica tem vindo a reduzir gradualmente a sua produção. A partir deste fim de semana, passará para um regime conhecido como “care and maintenance”, uma situação em que as instalações permanecem operacionais, mas sem produção ativa. Embora a fábrica não feche definitivamente, retomar a produção poderá levar cerca de 12 meses e implicar custos elevados.

Falando aos jornalistas, o porta-voz do governo e ministro da Administração Estatal, Inocêncio Impissa, destacou a importância estratégica da empresa para a economia moçambicana. Segundo ele, os lingotes de alumínio produzidos pela Mozal têm um impacto significativo na balança comercial, constituindo uma das principais fontes de receitas de exportação do país.

A interrupção da produção está prevista para domingo, 15 de março, e deverá afetar diretamente cerca de 1.100 trabalhadores da Mozal, além de aproximadamente 5.000 empregos indiretos ligados a empresas fornecedoras e prestadoras de serviços.

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Apesar da situação crítica, o governo ainda não descarta totalmente uma solução. Impissa afirmou que continua a haver esperança de alcançar um entendimento que seja aceitável tanto para a empresa como para o Estado.

Outro grande obstáculo é a questão do fornecimento de energia. Para operar em plena capacidade, a Mozal necessita de cerca de 950 megawatts de eletricidade, um volume que, segundo o governo, Moçambique não consegue fornecer atualmente.

Atualmente, a eletricidade utilizada pela fábrica provém principalmente da África do Sul. No entanto, de acordo com o governo moçambicano, o país vizinho também não tem capacidade para garantir o fornecimento necessário para manter a produção do complexo industrial.

Sem uma fonte de energia estável e garantida, as negociações tornam-se ainda mais difíceis. Com a fábrica a funcionar apenas em regime de manutenção, a possibilidade de chegar a um acordo que permita retomar a produção parece cada vez mais distante, aumentando as preocupações sobre o impacto económico e social que esta decisão poderá ter em Moçambique.