MozLife

Desporto/Tênis: Será Lois Boisson o conto de fadas que pode surpreender Roland-Garros 2025?

Dia 11 – Sessão do Jogo do Dia: Um duelo de conto de fadas

📍 Court Philippe-Chatrier, segundo jogo
Mirra Andreeva (6) vs Lois Boisson (WC)

Começamos com um aviso: neste artigo não haverá estatísticas sobre Lois Boisson.
E a razão é simples: a sua trajetória é tão mágica que os números deixam de fazer sentido. A francesa, beneficiária de um wildcard e com um ranking modesto, avançou heroicamente até aos quartos de final do Grand Slam que se disputa em casa. A sua percentagem de primeiros serviços ou a taxa de conversão de break points são irrelevantes neste cenário. O que importa é a narrativa.

PUBLICIDADE

Anuncie aqui!

Na segunda-feira, Boisson recuperou de um set perdido e venceu Jessica Pegula diante de um Court Philippe-Chatrier repleto de adeptos franceses. Alguns estavam em êxtase, outros à beira das lágrimas. Era drama puro, e a heroína local não decepcionou. Absorveu os aplausos e soltou um grito de felicidade.

“Não acreditaria se me dissesses há duas semanas que estaria nos quartos-de-final”, confessou. “Confio em mim, mas se me dissessem isso, a sério, não acreditaria. Agora é real, e estou muito feliz.”

E com razão. Quase ninguém acreditaria. Antes da edição de 2024 de Roland-Garros, Boisson sofreu uma grave lesão — rotura do ligamento cruzado anterior no joelho esquerdo, que obrigou a cirurgia. Foi uma lesão potencialmente fatal para a carreira. Só regressou ao circuito em fevereiro de 2025. De um ranking de 152ª, caiu para 230ª e, esta semana, encontra-se na 361ª posição. Ainda assim, está entre as oito melhores.

O que vem a seguir para Lois Boisson?

Há uma tranquilidade singular em Lois. Para alguém com 22 anos e pouca experiência ao mais alto nível, seria fácil perder-se no entusiasmo e na atenção mediática. Mas não Lois Boisson, a primeira francesa a chegar tão longe no torneio desde 2017. Nem mesmo o facto de pisar pela primeira vez o emblemático Court Philippe-Chatrier a abalou.

“Não senti mais pressão do que noutros jogos”, afirmou, serena. “Quanto mais jogo aqui, melhor me sinto. Tentei manter a calma e focar-me no que tinha de fazer para aliviar a pressão, porque sim, senti-a.”

“Se falhava um ponto, tentava perceber porquê e como melhorar no seguinte.”

Há campeãs de Grand Slam que passaram uma vida inteira sem conseguir refletir com tamanha clareza durante um jogo. É preciso muito para abalar Lois.

PUBLICIDADE

Anuncie aqui!

A próxima a tentar será Mirra Andreeva, atual número 6 do mundo. Há apenas dois anos, era ela a sensação juvenil que brilhava nos courts de terra batida. Agora, na sua segunda época completa no circuito, procura repetir a presença nas meias-finais do ano passado.

“Melhorei fisicamente. Estou muito mais forte do que há dois anos”, afirmou depois de vencer Daria Kasatkina.

“Estou também mais positiva em campo. Acho que isso é uma das chaves. E luto por cada ponto, aconteça o que acontecer. Para mim, os dois aspetos mais importantes foram: evolução física e crescimento mental.”

É o conto de fadas francês contra a prodígio adolescente russa. Nenhuma estatística é necessária.

Dois encontros imperdíveis na quarta-feira

📍 Court Philippe-Chatrier, primeiro jogo
Madison Keys (7) vs Coco Gauff (2)

Duas norte-americanas, ambas vencedoras de Grand Slams, separadas por poucos lugares no ranking. Como escolher uma favorita?
O histórico dá algumas pistas: Keys venceu três dos cinco encontros entre ambas, e em três superfícies diferentes. O mais recente foi no saibro de Madrid no ano passado — vitória de Keys em três sets renhidos.

“Será uma questão de encontrar equilíbrio: atacar quando possível, mas saber que com a capacidade defensiva dela, é preciso ganhar o ponto várias vezes”, explicou Keys.
“Se perdermos o controlo por um momento, ela assume logo a iniciativa.”

Esse talento levou Gauff à final de Roland-Garros em 2022 e às finais de Madrid e Roma nos últimos meses.

PUBLICIDADE

Anuncie aqui!

📍 Court Philippe-Chatrier, terceiro jogo
Jannik Sinner (1) vs Alexander Bublik

Por onde começar? Sabemos bem o que esperar de Jannik Sinner: potência, precisão e consistência. Mas quanto a Alexander Bublik? Ele pode ser tudo, em qualquer jogo.

Descreveu a sua vitória sobre Jack Draper como:

“100% um dos melhores dias da minha vida e um dos melhores jogos que já fiz. Ponto final.”

Com um arsenal de golpes completo (e alguns improváveis), Bublik deveria ter feito mais em Grand Slams, mas a falta de foco tem-lhe custado consistência. Os seus encontros parecem montanhas-russas, e isso impede-o de competir de forma estável ao mais alto nível.

Ainda assim, se jogar contra Sinner como jogou contra Draper, este duelo pode ser um dos grandes momentos do torneio.

PUBLICIDADE

Anuncie aqui!