Os números são, como sublinhou o diário desportivo espanhol Mundo Deportivo, “impressionantes” e revelam a dimensão do fenómeno Carlos Alcaraz. Este domingo, 1 de fevereiro, o tenista espanhol, número 1 mundial, conquistou pela primeira vez o Open da Austrália, ao vencer o sérvio Novak Djokovic em quatro sets, com os parciais de 2-6, 6-2, 6-3 e 7-5, na final disputada em Melbourne.
Com este triunfo, Carlos Alcaraz torna-se, aos 22 anos e 272 dias, o mais jovem jogador da história a vencer os quatro torneios do Grand Slam. Em apenas cinco anos ao mais alto nível, o espanhol soma já 25 títulos em 33 finais, incluindo sete conquistas em provas do Grand Slam, um percurso que confirma a sua ascensão meteórica no ténis mundial.
“Não faz sentido. É uma aberração histórica, um prodígio”, escreveu o diário madrileno El Mundo, ainda surpreendido com a dimensão da proeza do jovem natural de Múrcia. O jornal questiona mesmo até onde poderá chegar Alcaraz, reconhecendo que o seu teto competitivo permanece desconhecido.
Do outro lado da rede, Novak Djokovic procurava alcançar o 25.º título de Grand Slam, o que lhe permitiria ultrapassar definitivamente os 24 títulos maiores que partilha com a australiana Margaret Court. O sérvio beneficiou de circunstâncias favoráveis ao longo do torneio, incluindo o forfait de Jakub Mensik nos oitavos de final e a desistência de Lorenzo Musetti, que liderava por dois sets nos quartos de final.
Apesar disso, Djokovic, aos 38 anos, conseguiu eliminar o número 2 mundial, Jannik Sinner, nas meias-finais, demonstrando, uma vez mais, por que razão é descrito como “o jogador de ténis perfeito”, alguém que parece ter sido “concebido por computador para este desporto”, segundo El Mundo.
Na final, porém, nem a experiência de Djokovic, nem a pressão do desafio, nem o início forte do sérvio foram suficientes para travar Alcaraz. Como destacou El Periódico de Catalunya, o espanhol manteve-se fiel ao seu plano de jogo e consumou a sua revanche, depois de ter sido derrotado por Djokovic na final dos Jogos Olímpicos de 2024.
O feito ganha ainda maior relevo se se considerar que Djokovic havia vencido todas as dez finais que disputara anteriormente no Open da Austrália, facto que levou o jornal Marca a classificar a vitória de Alcaraz como um “exploit himalaico”. Trata-se também do primeiro grande título conquistado sem a presença de Juan Carlos Ferrero, treinador histórico do espanhol, com quem cessou colaboração há poucas semanas.
A separação levantou dúvidas sobre a estabilidade do jovem tenista e sobre o seu estilo de vida fora dos courts. Questões que Alcaraz respondeu com a raquete, ao erguer o troféu em Melbourne. “Agora”, ironiza o Marca, “pode ir a Ibiza ou até a Júpiter descansar, sem que ninguém questione as suas escolhas”.





