O governo moçambicano deu um passo decisivo na luta contra o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa ao aprovar a Estratégia de Continuidade e Sustentabilidade para o período 2026-2030, acompanhada do Plano de Ação correspondente. A informação foi avançada pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, minutos após a conclusão da 7ª sessão ordinária daquele órgão, realizada em Maputo.
Impissa, que também ocupa o cargo de ministro da Administração Estatal e Função Pública, explicou que a estratégia visa garantir a continuidade da conformidade do país com os padrões internacionais estabelecidos pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). Segundo o governante, o objetivo é reforçar a integridade e a estabilidade do sistema financeiro moçambicano por meio de uma abordagem abrangente e sustentável, envolvendo tanto o setor público quanto o privado.
A estratégia abrange diversos setores, incluindo ministérios, autoridades de supervisão financeira, instituições bancárias, forças de aplicação da lei, organizações não governamentais, atividades e profissões não financeiras designadas, assim como o setor privado. O mecanismo estabelece coordenação interinstitucional, fiscalização rigorosa e monitoramento contínuo de operações financeiras suspeitas, criando um sistema integrado que permite detetar e prevenir fluxos ilícitos de capitais de forma sistemática.
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Anuncie aqui!A aprovação desta estratégia ocorre no contexto da saída de Moçambique da “lista cinzenta” internacional em outubro de 2025, após anos de esforços para cumprir as recomendações de organismos internacionais. O país havia sido incluído nessa lista em 2021 devido a lacunas no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, mas conseguiu implementar 26 das 27 recomendações formuladas, incluindo exigências do Fundo Monetário Internacional. Entre as medidas adotadas destacam-se o reforço da legislação anti-branqueamento, combate ao financiamento do terrorismo e aumento da transparência no sistema financeiro.
Durante a mesma sessão, o Conselho de Ministros decidiu ainda incumbir os ministros das Finanças, Carla Louveira, e dos Transportes e Logística, João Matlombe, de formarem uma equipe técnica para negociar com a empresa Kudumba Investments um contrato de concessão para prestação de serviços de inspeção não intrusiva de mercadorias, veículos, bagagens e pessoas nas fronteiras do país. O contrato deverá ser estabelecido por ajuste direto e no formato de parceria público-privada, definindo novos períodos de prestação de serviços e possíveis serviços adicionais a integrar.
“É natural que, quando uma entidade tem boa referência pelos serviços prestados, se recorra a um ajuste direto”, explicou Impissa. Essa medida reforça o caráter concreto e operacional do mecanismo, mostrando que a estratégia não se limita a diretrizes abstratas, mas traduz-se em ações práticas de fiscalização, controle e coordenação entre órgãos públicos e privados.
O mecanismo moçambicano segue práticas internacionais semelhantes, como as unidades de inteligência financeira no Quénia, que analisam transações suspeitas e coordenam ações com bancos e polícia, ou os sistemas integrados dos Emirados Árabes Unidos, que monitoram operações financeiras no setor bancário e não bancário. Na União Europeia, a aplicação de normas KYC (Know Your Customer) e auditorias regulares são exemplos de mecanismos que garantem detecção rápida de fluxos ilícitos, semelhantes ao que se pretende implementar em Moçambique.
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Anuncie aqui!Em essência, a estratégia combina prevenção, fiscalização contínua e colaboração interinstitucional, com o objetivo de manter a credibilidade internacional do país, proteger o sistema financeiro e reduzir riscos de corrupção e financiamento de atividades ilícitas. A implementação do plano requer coordenação entre ministérios, bancos, forças de segurança e setor privado, assegurando que qualquer operação suspeita seja rapidamente identificada e investigada.





