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China aprova plano quinquenal e aposta em inovação tecnológica e modernização industrial

Legisladores chineses definem metas econômicas até 2030, com crescimento mais moderado, foco em inteligência artificial e fortalecimento da presença global do país.

Pequim, 13 de março de 2026 – As sessões anuais do Legislativo e do principal órgão consultivo político da China, conhecidas coletivamente como “Duas Sessões”, foram concluídas nesta quinta-feira, consolidando um plano estratégico que direciona a segunda maior economia do mundo a investir pesado em inovação tecnológica e modernização industrial nos próximos cinco anos.

Após oito dias de deliberações, mais de 2.700 legisladores chineses aprovaram o 15º Plano Quinquenal, um documento de 135 páginas que estabelece a trajetória de desenvolvimento nacional até 2030 e detalha uma agenda extensa para os formuladores de políticas enfrentarem lacunas internas enquanto navegam em um cenário global cada vez mais fragmentado.

No encerramento da sessão da Assembleia Popular Nacional (APN), Zhao Leji, presidente do comitê permanente do Parlamento, recebeu aplausos entusiasmados ao convocar os legisladores a transformar a “grande visão” da China em uma realidade concreta. “Devemos executar todas as tarefas de forma sólida e eficaz, manter a gestão de nossos assuntos com firmeza e buscar um bom começo para o 15º Plano Quinquenal”, disse Zhao.

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A APN também aprovou o relatório anual de trabalho do governo central, que define as metas da China para 2026, com votação quase unânime: 2.759 votos a favor, um contra e duas abstenções. O ponto de maior atenção foi a meta de crescimento do PIB, reduzida para uma faixa de 4,5% a 5%, o menor nível desde 1991, em linha com expectativas do mercado. Outros indicadores incluem inflação de 2% e déficit fiscal de 4% do PIB.

Economistas destacam que o foco principal não é apenas o crescimento, mas sua origem. Larry Hu, economista-chefe de China do Macquarie Group, considerou a meta um “não-evento para investidores”, ressaltando que a performance das exportações, que dispararam 21,8% nos dois primeiros meses de 2026, será crucial. Para Ho Woei Chen, do UOB, a tolerância maior para crescimento mais lento permitirá à China reestruturar sua economia a longo prazo, com ênfase em consumo interno e modernização industrial.

O ministro do Comércio, Wang Wentao, indicou que Pequim vai promover equilíbrio comercial aumentando importações, impulsionar o setor de serviços e expandir o consumo em cidades menos desenvolvidas. Outro tema central das Duas Sessões foi a onipresença da inteligência artificial (IA). Perguntas sobre desenvolvimento e riscos da IA dominaram entrevistas com delegados do setor tecnológico, acadêmico e industrial.

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A ministra de Recursos Humanos, Wang Xiaoping, reconheceu o impacto profundo da IA no mercado de trabalho fragilizado do país, garantindo que a estabilização do emprego é prioridade, enquanto o governo estuda como a tecnologia pode gerar novas oportunidades e modernizar funções tradicionais.

Além disso, foram discutidas políticas de saúde pública, medidas para aumentar a taxa de natalidade, leis sobre unidade étnica e desenvolvimento nacional, e regulamentações ambientais explícitas para desenvolvimento de baixo carbono.

No plano internacional, a China busca consolidar uma atuação mais proativa na governança global. Apesar do conflito no Oriente Médio lançar uma sombra sobre as discussões, o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, adotou tom medido em entrevistas, destacando a diplomacia de alto nível para manter estabilidade nas relações China-EUA antes da cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump.

Wang também se mostrou otimista sobre laços com a Europa e mencionou progressos nas negociações sobre o Código de Conduta no Mar do Sul da China. No entanto, ao tratar de Taiwan, o tom foi mais firme: o país condenou ações separatistas e alertou o Japão sobre possíveis consequências militares.

Internamente, o governo chinês enfrenta desafios relacionados à corrupção no Partido Comunista e no Exército de Libertação Popular (PLA). O número de deputados presentes na APN diminuiu, com ausência de 113 legisladores no primeiro dia, a menor desde 2000. Xi Jinping reforçou que lealdade política e combate à corrupção militar são prioridades.

Para 2026, a China destinará 1,94 trilhão de yuanes (US$ 360 bilhões) à defesa, um aumento de 6,9%, visando atingir marcos de modernização militar até o centenário do PLA em 2027.

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