MozLife

Taiwan reforça presença diplomática em África: visita estratégica de Lai Ching-te a Eswatini num contexto de tensão com Pequim

A deslocação do Presidente de Taiwan a Eswatini, único aliado diplomático do país no continente africano, ocorre num momento de forte rivalidade geopolítica com a China e simboliza a tentativa de Taipei de preservar os seus últimos parceiros formais no exterior.

A diplomacia taiwanesa prepara-se para um novo teste de resistência internacional com a deslocação do Presidente Lai Ching-te a Eswatini, entre 22 e 26 de abril, naquela que será a sua primeira viagem ao estrangeiro desde dezembro de 2024. O anúncio foi feito pelo gabinete presidencial, sublinhando o caráter simbólico e estratégico da visita.

PUBLICIDADE

Anuncie aqui!

A deslocação coincide com duas celebrações de forte carga política e cerimonial: o 40.º aniversário da coroação do rei Mswati III e o seu aniversário. Segundo a Presidência taiwanesa, Lai viajará diretamente para o reino africano, sem escalas intermédias, e deverá participar nas cerimónias oficiais, além de encontros com líderes estrangeiros presentes no evento.

Num contexto internacional cada vez mais marcado pela disputa de influência entre Taipei e Pequim, Eswatini ocupa um lugar singular. Antiga Suazilândia, o país é hoje a última monarquia absoluta de África e um dos apenas 12 Estados que ainda mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, resistindo às pressões da China para isolar diplomaticamente a ilha.

President Lai meets Kingdom of Eswatini deputy PM - Taiwan Today

A visita de Lai ocorre também após um longo período sem viagens internacionais presidenciais. O chefe de Estado taiwanês não se deslocava ao estrangeiro há mais de um ano, o intervalo mais longo desde 2012, excluindo o período da pandemia. A sua última deslocação incluiu paragens nos Estados Unidos, nomeadamente em Hawaii e Guam, durante visitas aos aliados de Taiwan no Pacífico.

PUBLICIDADE

Anuncie aqui!

A tensão com Pequim intensifica o peso diplomático da viagem. A China considera Taiwan parte do seu território e tem vindo a reduzir progressivamente o número de aliados internacionais da ilha. Em resposta, Taipé reforça a sua estratégia de sobrevivência diplomática através de alianças residuais, onde Eswatini assume um papel central.

King Mswati congratulates new Taiwan President William Lai Ching-te during  inauguration - Eswatini

A viagem de Lai acontece ainda num momento de crescente fricção militar e política na região asiática. Após visitas diplomáticas recentes e movimentações militares chinesas no Pacífico, Taipei denuncia uma pressão contínua sobre o seu espaço internacional. No ano passado, uma deslocação planeada do presidente foi cancelada após preocupações de Washington quanto ao impacto nas relações com Pequim, evidenciando o delicado equilíbrio da diplomacia taiwanesa.