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Internacional/Médio-Oriente: ADNOC acelera transformação sob liderança de Sultan Al Jaber e amplia ambições energéticas dos Emirados

Estratégia combina petróleo, gás e renováveis para reforçar o peso geopolítico dos Emirados Árabes Unidos num mercado energético em mutação.

Quando Sultan Ahmed Al Jaber assumiu, em 2016, a liderança da Abu Dhabi National Oil Company, a empresa concentrava-se sobretudo em explorar campos petrolíferos de baixo custo que garantiam receitas estáveis ao país. A missão que recebeu de Mohammed bin Zayed Al Nahyan foi clara: modernizar a companhia e transformá-la num instrumento capaz de sustentar a economia e a projeção internacional dos Emirados.

Sob a sua direção, a ADNOC passou de produtora nacional tradicional a ator global em aquisições energéticas, reposicionando Abu Dhabi como um concorrente mais assertivo dentro da OPEC. O fortalecimento da empresa contribuiu para ampliar a influência política dos Emirados em diferentes regiões e consolidar a sua capacidade de intervenção externa.

A nova fase da ADNOC caracteriza-se por uma estratégia de diversificação ambiciosa. A empresa procura expandir-se internacionalmente, com foco no gás natural, setor no qual pretende posicionar-se entre os cinco maiores fornecedores mundiais. Paralelamente, investe em petroquímica, energia nuclear e fontes renováveis, num movimento que procura equilibrar receitas fósseis com transição energética.

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Através do braço de investimentos XRG, criado em 2024, a companhia adquiriu participação num grande projeto de gás natural liquefeito nos Estados Unidos e ampliou a presença em ativos energéticos no Egito, Azerbaijão e Moçambique. A estratégia inclui também cooperação com empresas internacionais para aumentar a eficiência produtiva e desenvolver novas tecnologias, incluindo inteligência artificial aplicada à exploração e refinação.

Al Jaber tem sido igualmente uma figura central na promoção das energias limpas em Abu Dhabi. Foi um dos impulsionadores da Masdar, empresa dedicada ao desenvolvimento de projetos solares e eólicos, e apoiou a construção de um complexo nuclear que hoje fornece uma parte significativa da eletricidade nacional. Para os Emirados, investir em renováveis não contradiz a expansão petrolífera; pelo contrário, é visto como instrumento de poder económico e influência internacional.

Apesar da diversificação, o petróleo continua a sustentar a base financeira do país, respondendo por cerca de 62% das receitas governamentais. A produção dos Emirados cresceu mais de 10% nos últimos dois anos, atingindo aproximadamente 3,6 milhões de barris por dia, o que reforçou o peso do país nas negociações dentro da OPEC.

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O processo de modernização incluiu ainda a abertura parcial da ADNOC ao mercado financeiro. A empresa alienou participações em infraestruturas estratégicas e listou unidades subsidiárias na bolsa de Abu Dhabi, captando milhares de milhões de dólares junto de investidores internacionais. Executivos consideram que a exposição ao escrutínio externo elevou os padrões de gestão e profissionalização interna.

Ainda assim, especialistas do setor alertam que a expansão acelerada representa riscos operacionais e estratégicos. A gestão de ativos energéticos dispersos globalmente exigirá capacidade administrativa e competitividade tecnológica num ambiente internacional cada vez mais disputado.

Para Al Jaber, o objetivo permanece inequívoco: transformar a ADNOC numa empresa energética global competitiva, capaz de garantir prosperidade económica e relevância geopolítica duradoura aos Emirados Árabes Unidos.

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