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Moçambique/Política: Anamola denuncia campanha de intimidação e questiona coerência do diálogo nacional

Declarações de Venâncio Mondlane reacendem debate sobre liberdades políticas, legitimidade institucional e o clima de segurança num país que procura estabilidade após ciclos de contestação eleitoral.

Num contexto marcado por tensões políticas persistentes e promessas de reconciliação nacional, a Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) denunciou aquilo que descreve como uma campanha sistemática de perseguição política contra os seus membros e simpatizantes. A acusação foi tornada pública por Venâncio Mondlane, antigo candidato presidencial e líder da formação, após uma visita a uma esquadra da polícia em Maputo, onde se encontram detidos membros do partido.

Segundo Mondlane, um dos episódios mais recentes ocorreu na região de Xinavane, distrito da Manhiça, a cerca de 100 quilómetros a norte da capital. Ali, afirmou, membros da Anamola foram detidos de forma ilegal, num episódio que ganhou projeção nacional após a circulação nas redes sociais de vídeos que mostram um grupo de pessoas — incluindo uma idosa — a sofrer alegados maus-tratos.

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O dirigente político sustenta que os seus apoiantes têm sido alvo de mortes, raptos, detenções arbitrárias e atos de intimidação, descrevendo os acontecimentos como parte de uma estratégia organizada de pressão política. Na sua leitura, forças policiais e outras autoridades formais estariam a ser mobilizadas para exercer controlo e restringir a atuação de vozes dissidentes.

Mondlane afirma que a repressão se intensificou desde 2024, período marcado por manifestações em massa que contestaram os resultados das eleições gerais, considerados fraudulentos pelos protestantes. Para o líder da Anamola, o quadro atual é particularmente preocupante por ocorrer em simultâneo com um processo de Diálogo Nacional Inclusivo, concebido precisamente para promover reconciliação política, abertura institucional e pacificação social.

A coexistência entre iniciativas formais de diálogo e relatos recorrentes de violência política alimenta um clima de ambiguidade institucional. De acordo com Mondlane, episódios de intimidação contra membros e simpatizantes do partido ocorrem quase diariamente em várias regiões do país, contribuindo para um ambiente de medo e insegurança generalizada. Na sua interpretação, tais ações não constituem incidentes isolados, mas antes mecanismos de silenciamento e exclusão deliberada de forças consideradas inconvenientes ao sistema político vigente.

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Esta denúncia surge num momento em que Moçambique enfrenta múltiplos desafios estruturais, desde fragilidades económicas e pressões sociais até exigências crescentes por transparência e governança eficaz. O agravamento do discurso de perseguição política introduz novas interrogações sobre a capacidade das instituições em assegurar equilíbrio entre segurança, legalidade e pluralismo democrático.

A situação também se insere numa tendência mais ampla observada em diferentes contextos regionais, onde períodos de instabilidade eleitoral tendem a prolongar-se em ciclos de contestação, repressão e negociação política. No caso moçambicano, o descompasso entre os mecanismos formais de reconciliação e a perceção de exclusão política revela a profundidade das fraturas ainda presentes no tecido institucional.

Num país onde a estabilidade política permanece um fator central para a confiança económica e para a coesão social, as acusações de perseguição e intimidação colocam em evidência a delicada relação entre autoridade estatal, oposição política e sociedade civil. O desenrolar destes acontecimentos poderá influenciar não apenas a dinâmica interna do poder, mas também a perceção internacional sobre o percurso democrático moçambicano.

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