Criado para apoiar a reconstrução da Faixa de Gaza e dotado de uma missão mais ampla de resolução de conflitos, o Conselho de Paz, liderado por Donald Trump, realizou nesta quinta-feira em Washington a sua primeira reunião oficial. O encontro acontece no instituto “Donald J. Trump para a Paz”, recentemente renomeado em homenagem ao ex-presidente americano, a partir das 9h locais.
Segundo a Casa Branca, serão anunciados compromissos financeiros de 5 bilhões de dólares para Gaza, além do envio de “milhares” de militares para integrar uma força de estabilização no território. Entre os participantes confirmados, estão o chefe da diplomacia americana Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente indonésio Prabowo Subianto, pronto para mobilizar 8 mil soldados, e outros líderes de países árabes e da Ásia Central.
O Conselho, composto por 47 países, incluindo membros permanentes e observadores, como a União Europeia, tem como missão declarada garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos, uma iniciativa que, no papel, surge como alternativa às Nações Unidas, consideradas por Trump ineficazes. Os membros permanentes devem contribuir com 1 bilhão de dólares para aderir, o que gerou críticas de que se trata de uma espécie de “Conselho de Segurança pago”, com o presidente americano exercendo autoridade quase absoluta sobre convites e exclusões.
Especialistas expressam ceticismo quanto à eficácia do Conselho. Bruce Jones, da Brookings Institution, descreve o organismo como “um misto confuso de ambição e narcisismo, sem coerência intelectual”. Para Max Rodenbeck, do International Crisis Group, “se esta reunião não produzir resultados concretos rapidamente, especialmente na área humanitária, sua credibilidade vai desmoronar”. Após mais de quatro meses de cessar-fogo, os confrontos na Faixa de Gaza permanecem diários, com Israel e Hamas acusando-se mutuamente de violações. Jeremy Issacharoff, da Reichman University, alerta que “5 bilhões de dólares serão insuficientes” para reconstruir um território devastado.
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anuncie aqui!A composição do Conselho revela intenções políticas claras: líderes de países acusados de autoritarismo ou alinhados à ideologia nacionalista de Trump, além de nações interessadas no futuro de Gaza ou em manter boas relações com o ex-presidente, foram convidados. Israel será representado pelo chefe da diplomacia Gideon Saar, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e o presidente argentino Javier Milei também participarão. Países como Egito e Jordânia enviarão seus representantes, enquanto aliados tradicionais e grandes rivais dos EUA, incluindo Canadá, Vaticano e China, recusaram ou hesitaram em integrar o Conselho. A União Europeia, em posição de observadora, será representada pela comissária Dubravka Suica, decisão criticada por França, Espanha, Bélgica e Irlanda.
O “Conselho de Paz” se apresenta como uma ambiciosa iniciativa internacional, mas enfrenta desafios de credibilidade e de financiamento, em meio a um cenário de conflito contínuo em Gaza e críticas sobre a centralização do poder nas mãos de Donald Trump. A eficácia prática do organismo ainda depende de resultados concretos, que especialistas dizem serem essenciais para validar sua missão humanitária e diplomática.





