No tribunal de Los Angeles, uma sala de audiência “lotada”, segundo o New York Times, assistiu, na quarta-feira, a um momento inédito: Mark Zuckerberg testemunhou perante juiz e júri, defendendo o seu império digital pela primeira vez em tais condições. A ação judicial envolve não apenas a Meta, mas também gigantes como Google, TikTok e Snapchat, e foi movida por uma jovem californiana de 20 anos que acusa essas plataformas de serem responsáveis pela sua dependência das redes sociais, que resultou em ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.
O caso é considerado histórico: trata-se do primeiro de uma série de processos que podem incluir menores, distritos escolares e procuradores estaduais, alegando que, “assim como cigarros ou máquinas de jogo em cassinos”, as redes sociais podem ser **altamente viciantes e prejudiciais”, segundo o Times. Caso Meta e as demais empresas percam o processo, poderão ser obrigadas a pagar bilhões de dólares em indenizações e implementar mudanças significativas nas plataformas, alerta a CNN.
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Anuncie aqui!O modelo de negócios das redes sociais também está sob escrutínio. Conforme explica o Wall Street Journal, a Meta vende publicidade direcionada com base no tempo que os usuários passam nas plataformas. Quanto mais tempo as pessoas permanecem online, mais anúncios são exibidos, garantindo receitas substanciais: apenas no último trimestre, a Meta registrou 60 bilhões de dólares em receitas. A Frankfurter Allgemeine Zeitung questiona se eventuais mudanças impostas pelo tribunal poderiam ameaçar esse modelo lucrativo.
Zuckerberg chegou ao tribunal por volta das 8h30 da manhã, trajando terno escuro e gravata cinza, com seus característicos cabelos castanhos ligeiramente despenteados, descreve o Los Angeles Times. Durante o interrogatório, o empresário mostrou-se pugnaz, lançando olhares nervosos tanto ao júri quanto à jovem autora da ação. “A simples presença de Zuckerberg no banco das testemunhas é uma vitória e, potencialmente, um problema para as plataformas de sua empresa”, observa o jornal, lembrando que o público americano possui uma visão crítica do executivo. Segundo pesquisa do Pew Research Center, o número de adultos que o vêem favoravelmente é comparável ao de quem acredita que a Terra é plana ou que extraterrestres vivem entre nós.
No tribunal, familiares de vítimas de redes sociais aguardavam do lado de fora, incluindo uma mãe que carregava a foto da filha de 14 anos, falecida após obter fentanil através de plataformas online, segundo o The Independent.
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anuncie aqui!Durante seu depoimento, Zuckerberg defendeu ferozmente sua empresa, relata o El País. Houve um momento intenso quando questionado se seria ético para uma empresa se aproveitar de pessoas com menos acesso à educação ou de origens vulneráveis. O fundador da Meta respondeu que uma empresa responsável deve buscar ajudar quem utiliza seus serviços.
Outro ponto de tensão surgiu com referência a um e-mail interno de 2015, no qual Zuckerberg aparentemente estabelecia metas para que os usuários passassem mais tempo nas plataformas. O bilionário explicou que a prática foi abandonada, reconhecendo que não era a melhor forma de gerenciar a empresa.
Zuckerberg também comentou sobre a idade mínima no Instagram, definida apenas em 2019 para 13 anos, admitindo que desejaria ter implementado a medida antes. Documentos internos mostram que, em 2015, mais de quatro milhões de usuários tinham menos de 13 anos, e muitos conseguiam contornar as restrições. O executivo afirmou que a empresa tentava identificar essas pessoas, contestando a ideia de negligência.
Fora das discussões técnicas, a juíza alertou sobre a proibição de gravações com óculos Meta-Ray-Bans, advertindo que quem desrespeitasse seria sancionado por desobediência ao tribunal, segundo o Gizmodo.
O julgamento coloca em evidência a pressão sobre o setor tecnológico para equilibrar inovação, lucratividade e responsabilidade social. O caso Zuckerberg é mais do que um litígio isolado: é um teste global sobre o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens e sobre até que ponto empresas de tecnologia devem ser responsabilizadas.





