Washington, 6 de fevereiro de 2026 – O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a retirada de 700 agentes da polícia de imigração e alfândega (ICE) do Minnesota, um movimento interpretado por analistas como o início de uma desescalada parcial em um estado marcado por forte tensão social. A decisão foi tomada pelo presidente Donald Trump e confirmada por Tom Homan, seu emissário em Minneapolis, após quase um mês da implantação de mais de 2.000 agentes com o objetivo declarado de conter a imigração irregular e a criminalidade associada.
Apesar da retirada, 2.000 agentes permanecem em operação, e Trump afirmou que está considerando a expansão das ações do ICE em cinco novas cidades norte-americanas, desde que haja aval das autoridades locais. Em entrevista recente à NBC, o presidente reafirmou a necessidade de rigor, afirmando que “temos que ser duros, lidamos com criminosos muito perigosos”, enquanto Tom Homan enfatizou que o objetivo final continua sendo a “retirada completa” do ICE do Minnesota, sem interromper a atuação em outras regiões.
A presença do ICE em Minneapolis gerou forte oposição por parte do governador Tim Walz e do prefeito Jacob Frey, assim como protestos que se estenderam até a última semana. A população local e nacional reagiu com indignação a prisões realizadas de forma violenta, incluindo operações em frente a escolas e incidentes que resultaram na morte de Renee Nicole Good e Alex Pretti, baleados por agentes federais.
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anuncie aqui!O ICE, fundado há 23 anos, viu seu orçamento triplicar desde que Trump voltou à presidência. Atualmente mantém 73.000 detidos, um recorde histórico e um aumento de 84% em relação ao início de sua administração. Pesquisas recentes de fevereiro conduzidas por NPR, PBS e Marist Poll indicam que 65% dos norte-americanos acreditam que o ICE foi longe demais, com desaprovação crescente entre democratas e uma parte significativa dos republicanos.
A atuação do ICE não se limita aos Estados Unidos. A agência mantém 93 escritórios em 50 países, incluindo o Canadá, onde a presença da Homeland Security Investigations (HSI) causou preocupação em cidades como Toronto, Vancouver, Calgary, Montreal e Ottawa. Deputados canadenses solicitaram a revogação da autorização para agentes no território, embora a HSI atue sem poder de prisão ou uso de armas, concentrando-se em crimes graves como tráfico de drogas, exploração infantil, tráfico de armas e humanos, fraudes financeiras e combate ao terrorismo internacional.
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anuncie aqui!Além do continente americano, a HSI opera em Europa, África e Ásia, com escritórios em países como França, Bélgica, Senegal e Marrocos, consolidando a atuação internacional da agência e provocando debates sobre soberania, direitos humanos e métodos de aplicação da lei em contextos externos aos Estados Unidos. Especialistas alertam que a expansão global do ICE e da HSI aumenta tensões diplomáticas e suscita questionamentos sobre responsabilidade, transparência e eficácia, enquanto a administração Trump mantém seu discurso de tolerância zero à imigração irregular.
O cenário atual revela o paradoxo de uma política de imigração cada vez mais militarizada e impopular, que busca controle rigoroso e expulsões massivas, enfrentando oposição interna e críticas internacionais, desafiando a capacidade dos Estados Unidos de equilibrar segurança nacional, direitos humanos e cooperação transnacional.





