Saif al-Islam Gaddafi, o filho mais proeminente do ex-líder líbio Muammar Gaddafi, foi assassinado na cidade de Zintan, a cerca de 136 km a sudoeste de Trípoli, segundo informações de autoridades locais e veículos de comunicação líbios. O anúncio foi feito por seu advogado, Khaled al-Zaidi, e pelo conselheiro político Abdulla Othman em publicações separadas no Facebook, sem detalhar as circunstâncias do crime.
O canal de notícias Fawasel Media citou Othman afirmando que homens armados invadiram a residência de Gaddafi, levando à sua morte. Em nota oficial, a equipe política do ex-herdeiro descreveu o episódio como “um assassinato covarde e traiçoeiro”, afirmando que o político teria tentado reagir enquanto os agressores desligavam as câmeras de segurança, numa tentativa de apagar vestígios do crime.
Khaled al-Mishri, ex-chefe do Conselho Superior do Estado, com sede em Trípoli e reconhecido internacionalmente, exigiu uma investigação urgente e transparente, sublinhando a gravidade do atentado.
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anuncie aqui!Embora nunca tenha ocupado cargos oficiais na Líbia, Saif al-Islam era considerado o número dois do regime de seu pai entre 2000 e 2011, ano em que Muammar Gaddafi foi morto por forças da oposição. Capturado e detido em Zintan após a queda de Trípoli, ele foi liberado em 2017 graças a um perdão geral e residia desde então na cidade.
Nascido em junho de 1972 em Trípoli, Saif al-Islam recebeu formação ocidental e se apresentava como uma face progressista do governo de seu pai. Ele liderou negociações internacionais para a desmobilização das armas de destruição em massa da Líbia e para compensar as famílias das vítimas do atentado contra o voo Pan Am 103, em Lockerbie, na Escócia, em 1988. Formado na London School of Economics, defendia reformas constitucionais e direitos humanos, e sua tese acadêmica abordava o papel da sociedade civil na reforma da governança global.
No entanto, durante a revolta de 2011 contra Muammar Gaddafi, Saif al-Islam manteve-se leal à família, tornando-se arquiteto da repressão brutal contra dissidentes, a quem chamava de “ratos”. Em declarações à Reuters naquele período, alertou que “rios de sangue correriam” e que o governo lutaria até o último homem, mulher e bala, prevendo décadas de instabilidade política caso o país fosse destruído pelo conflito.
Acusado de tortura e violência extrema contra opositores, Saif al-Islam foi incluído na lista de sanções das Nações Unidas e proibido de viajar. O Tribunal Penal Internacional também o procurava por crimes contra a humanidade. Após tentar fugir para o Níger disfarçado, foi capturado por milícias locais e enviado a Zintan. Em 2015, um tribunal de Trípoli o condenou à morte à revelia.
Após a libertação, viveu sob proteção discreta, evitando novas tentativas de assassinato. Em 2021, anunciou sua candidatura à presidência da Líbia, movimento controverso que provocou forte reação de forças políticas anti-Gaddafi e contribuiu para o colapso do processo eleitoral, mergulhando novamente o país em um impasse político.
A morte de Saif al-Islam Gaddafi, agora confirmada, reescreve a narrativa política da Líbia, reacendendo debates sobre justiça, impunidade e o futuro de uma nação ainda marcada por conflitos regionais e clivagens históricas profundas.





