As chuvas intensas que caem sobre Moçambique há mais de uma semana estão a provocar uma grave crise humanitária, deixando milhares de famílias desalojadas, infraestruturas destruídas e comunidades inteiras isoladas. Dados preliminares indicam que mais de 3.000 pessoas viram as suas casas invadidas pela água, segundo uma nota divulgada esta sexta-feira pela World Vision Moçambique.
De acordo com a organização, o número de afetados continua a crescer, uma vez que se prevê a continuidade das precipitações e existe o risco iminente de transbordo das barragens da província de Gaza, o que poderá forçar novas evacuações e aumentar a pressão sobre os centros de acomodação temporários.
A localidade de Chinhacanine, no distrito de Guijá, na província de Gaza, é apontada como a área mais severamente afetada, com cerca de 2.000 pessoas desalojadas, quase metade das quais crianças. A World Vision alerta que a chegada constante de novas famílias aos centros de acolhimento está a limitar a capacidade de resposta das entidades humanitárias no terreno.
PUBLICIDADE
Teste Gratuito
PUBLICIDADE
Teste GratuitoNos próximos dias, a organização prevê apoiar as famílias deslocadas através da distribuição de jerricãs, baldes, cobertores, purificadores de água, bem como com ações de proteção à criança, enquanto continua a mobilização de recursos adicionais.
Até à última sexta-feira, pelo menos 103 pessoas perderam a vida e cerca de 173 mil foram afetadas desde o início da época chuvosa em Moçambique, que decorre entre outubro e abril. Segundo dados divulgados pelo Governo, 1.160 casas foram totalmente destruídas e mais de 4.000 ficaram parcialmente inundadas, cenário que levou o executivo a decretar alerta vermelho nacional.
“No período de 22 de dezembro a 15 de janeiro de 2026, registámos lamentavelmente oito óbitos, elevando para 103 o número total de mortes nesta época chuvosa”, afirmou o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final de uma sessão extraordinária dedicada à avaliação da situação.
No distrito de Boane, a Estrada Nacional Número Dois (N2) transformou-se num vasto corredor de água, interrompendo a ligação para o sul do país e deixando centenas de pessoas isoladas. “Quando quisemos sair, já não havia possibilidade. A situação agravou-se de forma repentina”, relata Paulo Espírito Santo, resgatado de barco juntamente com o filho.
Só durante a manhã, cerca de 200 pessoas foram retiradas da zona inundada, incluindo uma grávida de sete meses, transportada diretamente para uma unidade hospitalar. As operações de socorro contam com o apoio da Proteção Civil, Marinha, Cruz Vermelha e de cidadãos que disponibilizaram embarcações privadas.
No local, técnicos de saúde prestam primeiros socorros, alimentos quentes e água aos deslocados, muitos dos quais chegam exaustos, assustados e com sinais de trauma. O paramédico português Carlos Gomes, do grupo SOS Resgate, alerta para a dimensão da crise: “Há muita gente sitiada e precisamos de mais apoio, sobretudo combustível para manter os resgates”.
Também Vanusa Cândido, da equipa de nadadores-salvadores, sublinha que o trabalho é contínuo e desafiante. “À medida que a situação se agrava, as pessoas começam a pedir ajuda. O nosso objetivo é chegar ao máximo de pessoas possível, em vários pontos ao mesmo tempo”, explica.
Apelo à Solidariedade e à Ajuda Humanitária
Perante a magnitude desta emergência, toda a ajuda que puder ser prestada é necessária. O apoio das organizações humanitárias, das instituições públicas e da sociedade civil é essencial para garantir alimentos, água potável, abrigo e cuidados de saúde às famílias afetadas.
👉 📞 Para ajudar com doações ou informações: 842 525 229 (AM LOVE)






