A pressão sobre a Groenlândia, território autónomo da Dinamarca, não para de aumentar. Um ano após regressar à Casa Branca, Donald Trump mantém a intenção de tomar o controlo da ilha, “de uma forma ou de outra”, como afirmou com firmeza no último domingo. Segundo o 47.º presidente dos Estados Unidos, caso os norte-americanos não o façam, “a Rússia ou a China o farão”.
Diante desta situação, a União Europeia tenta reagir, embora com dificuldades. Na semana passada, sete países europeus emitiram uma declaração conjunta, defendendo o respeito pela soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras. Entre os signatários estão potências como França, Alemanha e Itália, mas muitos países permaneceram ausentes. Para Florian Vidal, investigador da Universidade de Tromsø, na Noruega, esta resposta limitada demonstra um “falta de unidade” da Europa sobre a questão groenlandesa.
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Anuncie aqui: clique já!Federico Santopinto, diretor de investigação no Institut de Relations Internationales et Stratégiques (IRIS), considera que o comunicado europeu é “um sinal de fraqueza”, cumprindo apenas o mínimo. Apesar de algumas vozes mais firmes, como a do presidente francês Emmanuel Macron, que denunciou uma “agressividade neocolonial”, a resposta global da Europa permanece timidamente cautelosa.
Um dos motivos principais é a guerra na Ucrânia. A dependência militar e estratégica dos Estados Unidos torna difícil para os países europeus confrontarem Washington, mesmo indiretamente. Segundo Santopinto, a Europa enfrenta um dilema: proteger o direito internacional e a soberania da Groenlândia sem comprometer a segurança europeia.
Até agora, Nuuk e Copenhague parecem apostar na diplomacia. Esta semana, autoridades dinamarquesas e groenlandesas devem encontrar o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, na tentativa de desescalar a situação e abrir um canal de diálogo. Miriam Cohen, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Montreal, aponta que uma das possibilidades é negociar reforços na segurança nacional da Groenlândia, justificados por Trump, ou explorar sanções económicas e até desdobramentos militares preventivos europeus. No entanto, poucos defendem um confronto direto com os EUA, considerando-o potencialmente catastrófico.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma ataque americano a um país da NATO poderia significar o fim da aliança. Juridicamente, mecanismos como o artigo 51 da Carta das Nações Unidas poderiam ser invocados para justificar legítima defesa, mas a vontade política seria essencial, ressalta Olivier Corten, diretor do Centro de Direito Internacional da Universidade Livre de Bruxelas.
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Anuncie aqui: clique já!Apesar de ferramentas militares e legais, a Europa enfrenta limitações operacionais, devido à dependência de equipamento e logística norte-americana. Além disso, muitos países europeus não estão dispostos a confrontar os EUA, evidenciando divisões internas. Florian Vidal afirma: “Trump também é uma ameaça” para a Europa, não apenas Putin.
A situação permanece incerta. A próxima reunião entre Marco Rubio e representantes groenlandeses e dinamarqueses poderá revelar o nível de seriedade da ameaça norte-americana, bem como a possibilidade de um front europeu unido ou fragmentado diante de Washington.





