Maputo, 12 de janeiro de 2026 – Venâncio Mondlane, líder do partido Anamola, fundado em agosto do ano passado, fez um balanço crítico do primeiro ano do mandato de Daniel Chapo como quinto Presidente de Moçambique, destacando a ausência de ideias inovadoras e programas de governo eficazes.
“É uma classificação medíocre. Não há dúvidas nenhumas, um Governo sem ideias. Logo no início do seu mandato, 90% das ideias que implementaram são exatamente as ideias que nós tínhamos apresentado durante a campanha e no nosso manifesto eleitoral”, afirmou Mondlane à agência Lusa.
A cerimónia de posse de Chapo aconteceu a 15 de janeiro de 2025, em Maputo, três dias após o início da nova legislatura no parlamento. Dois dias depois, foram empossados os membros do Governo, em meio a forte agitação e manifestações convocadas por Mondlane, que nunca reconheceu os resultados eleitorais.
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Anuncie aqui: clique já!Segundo Mondlane, o país enfrenta uma governação marcada por ausência de projetos sólidos e políticas públicas consistentes. “Fomos os primeiros a apresentar um programa quinquenal de Governo, antes de este Governo apresentar. Não existe uma única ideia, nem na economia, nem na reforma fiscal, nem no turismo, agricultura, serviços ou emprego. Portanto, não existe absolutamente nenhuma ideia ou programa capaz de mudar a situação de miséria em que o país se encontra. É uma governação medíocre. De zero a dez, eu daria um valor muito próximo de zero”, declarou.
O líder do Anamola destacou que a economia permanece em situação crítica, com problemas sérios de liquidez no Estado, atrasos no pagamento de salários a professores, profissionais de saúde, militares e polícias. Usando as palavras do falecido Samora Machel, afirmou que « o aparelho do Estado está escangalhado e doente« .
Mondlane reforçou que, um ano depois, não se vislumbram perspectivas ou políticas públicas que possam alterar o cenário atual. “Nenhuma ideia inovadora para regenerar o país ou resgatá-lo da quase falência em que se encontra”, criticou.
O político observa que a equipa governamental e o próprio Presidente permanecem os mesmos, sobrevivendo a “fantasmas do passado”, e não antevê melhorias significativas no segundo ano de mandato: “Não sei se haverá alguma coisa de novo, a não ser que haja uma mudança radical tanto no Governo como no seu próprio timoneiro. Talvez aí possamos esperar alguma coisa, mas não acredito”.
No setor da saúde, Mondlane descreveu um cenário alarmante. “Parece um filme de terror hoje entrar no Hospital Central de Maputo, a maior unidade sanitária do país. Pacientes com diferentes enfermidades partilham o mesmo espaço, faltam medicamentos e equipamentos. Os hospitais estão totalmente incapacitados para servir o cidadão”.
Quanto à educação, o líder do Anamola observou que o sistema se encontra debilitado, com “escândalos atrás de escândalos” e níveis de aprendizagem considerados os piores no continente africano.
Apesar da crítica severa, Mondlane destacou um ponto positivo: a consciência cívica e política da população. “Hoje, o povo está muito mais consciente dos seus direitos e da política, mais qualificado e informado sobre a governação e a sua relação com o Estado. Isso representa uma grande evolução, sem sombra de dúvida”, concluiu.





