Moçambique prepara-se para enfrentar, já na sexta-feira, a aproximação do ciclone tropical Gezani, um sistema que atravessou Madagáscar durante o fim-de-semana e que agora se intensifica no Canal de Moçambique. As autoridades moçambicanas elevaram o nível de alerta ao longo da costa sul, antecipando ventos médios de 120 quilómetros por hora, com rajadas que podem atingir 140 quilómetros por hora, além de precipitação intensa capaz de agravar a vulnerabilidade de regiões ainda fragilizadas pelas cheias recentes.
Em Maputo, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, apelou à prudência dos habitantes das zonas de risco e sublinhou que o fenómeno poderá afectar de forma significativa os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza. O governo estima que cerca de 1,1 milhão de pessoas possam ser impactadas directa ou indirectamente pelos efeitos do ciclone, sobretudo nas regiões centro e sul do país.
Num primeiro sinal da gravidade da situação, a Autoridade Reguladora do Transporte Marítimo, ITRANSMAR, anunciou a suspensão total da navegação marítima, fluvial e lacustre, bem como das actividades de transporte marítimo e de pesca nas províncias de Gaza, Inhambane e Sofala. A decisão entrou em vigor à meia-noite de 11 de Fevereiro e manter-se-á até que sejam restabelecidas condições seguras de navegabilidade. A instituição justificou a medida com o agravamento das condições meteorológicas no Canal de Moçambique, onde se registam mar muito agitado, ventos fortes e chuvas abundantes, factores que colocam em risco a segurança das comunidades costeiras e das infra-estruturas marítimas.
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Anuncie aqui!O ciclone formou-se no Oceano Índico e entrou no Canal de Moçambique na manhã de quarta-feira, deslocando-se em direcção à costa da província de Inhambane a uma velocidade média de 50 nós, equivalente a cerca de 95 quilómetros por hora. Segundo previsões do Centro Conjunto de Alerta de Tufões da Marinha dos Estados Unidos, o sistema poderá intensificar-se progressivamente, atingindo até 80 nós no domingo. Embora as projecções actuais não indiquem um impacto directo em terra, os especialistas admitem que a trajectória poderá alterar-se, mantendo elevado o risco de perturbações meteorológicas severas.
O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que, mesmo sem landfall confirmado, o ciclone poderá provocar chuvas intensas e ventos fortes ao longo do litoral, agravando a situação humanitária num país que ainda enfrenta as consequências das cheias de Janeiro, responsáveis por 27 mortos e mais de 724 mil pessoas afectadas. As autoridades temem que o novo fenómeno comprometa os esforços de assistência em curso.
Em resposta ao cenário de risco, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres e o Centro Nacional Operativo de Emergência activaram acções antecipadas de resposta a ciclones, com especial incidência na província de Sofala e na região sul. As autoridades recomendam o reforço estrutural de habitações, a preparação de reservas básicas de alimentos e medicamentos e o acompanhamento permanente dos avisos oficiais.
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anuncie aqui!Os efeitos das condições meteorológicas adversas já se fazem sentir no território nacional. Na província de Cabo Delgado, a empresa pública de electricidade confirmou a interrupção do fornecimento de energia após o colapso de uma torre de alta tensão provocado pela erosão causada por chuvas intensas. As equipas técnicas trabalham na reposição do serviço, enquanto as autoridades apelam ao cumprimento rigoroso das medidas de segurança.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro, Moçambique tem enfrentado uma sucessão de tempestades que resultaram em 202 mortos, 291 feridos e mais de 852 mil pessoas afectadas, segundo dados oficiais. A aproximação do ciclone Gezani surge, assim, num contexto de fragilidade acumulada, ampliando as preocupações sobre a capacidade de resposta a novos eventos extremos numa região particularmente exposta às dinâmicas climáticas do Índico.





