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Internacional/Europa – Viragem política em Portugal: ascensão de Ventura redefine o equilíbrio eleitoral e lança sinais para a Europa

esultado inédito na eleição presidencial portuguesa expõe recomposição da direita e oferece lições estratégicas com repercussões para países lusófonos, incluindo Moçambique.

Quando uma eleição produz resultados que não se viam há décadas, o sistema político é inevitavelmente abalado. A segunda posição de André Ventura na primeira volta da eleição presidencial portuguesa representou precisamente esse tipo de choque. O líder do partido nacional-populista Chega rompeu o histórico duopólio entre o Partido Social-Democrata e o Partido Socialista, redesenhando o mapa político nacional.

O desfecho conduziu a um confronto inesperado com António José Seguro, candidato socialista. Embora Seguro tenha vencido a segunda e decisiva volta da eleição presidencial realizada em 8 de fevereiro, o processo eleitoral oferece ensinamentos relevantes para a direita europeia em 2026, num contexto de reconfiguração política em vários países do continente.

O sistema eleitoral português apresenta diferenças estruturais relevantes em relação ao modelo norte-americano. Em Portugal, uma pluralidade significativa de candidaturas disputa a primeira volta e apenas um candidato que obtenha mais de 50% dos votos pode ser declarado vencedor. Caso essa maioria não seja alcançada, realiza-se uma segunda volta entre os dois mais votados, mecanismo que amplia a dinâmica de alianças e reposicionamentos políticos.

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Ao longo do último ano, André Ventura conduziu o Chega ao centro do debate político nacional. Após as eleições parlamentares de 18 de maio de 2025, o partido consolidou-se como principal força de oposição, acompanhando uma tendência mais ampla de fortalecimento de forças conservadoras na Europa. Em 2026, Ventura superou o seu desempenho na eleição presidencial de 2021 e levou o Chega, pela primeira vez, à disputa final pela chefia do Estado. Com mais de 99% dos votos apurados, obteve 33,18%, ficando atrás de Seguro.

Mesmo derrotado na segunda volta, Ventura consolidou o Chega como principal referência da direita portuguesa, ao alcançar uma percentagem de votos superior à obtida pela Aliança Democrática de centro-direita nas eleições parlamentares anteriores. Parte desse apoio resultou da defesa de princípios conservadores associados à soberania migratória e à crítica às elites políticas tradicionais que governaram o país durante décadas.

O episódio revela uma tendência que ultrapassa Portugal. Em diversos países europeus, segmentos do eleitorado demonstram deslocação para a direita, mas expressam simultaneamente descontentamento com políticas consideradas moderadas ou insuficientes, sobretudo em matéria migratória. Contudo, o desempenho eleitoral também expôs fragilidades estratégicas.

O insucesso de Ventura na segunda volta sublinhou a dificuldade recorrente de articulação entre forças conservadoras. Durante a fase decisiva da campanha, o líder do Chega permaneceu como único representante da direita, enquanto outros dirigentes conservadores optaram por apoiar o candidato socialista. Essa fragmentação política limitou a capacidade de consolidação eleitoral, fenómeno observado igualmente em outros contextos europeus.

A experiência portuguesa oferece ainda um alerta para partidos nacional-populistas. A ênfase na segurança das fronteiras e na contestação das elites tradicionais pode abrir espaço no debate público, mas não substitui uma agenda abrangente capaz de responder às preocupações socioeconómicas dominantes. Em Portugal, a questão da acessibilidade económica — particularmente o custo da habitação num contexto de forte crescimento do turismo — emergiu como tema central para o eleitorado. Muitos cidadãos percebem o acesso à propriedade como cada vez mais distante. Essa dimensão, no entanto, não se tornou eixo estruturante da campanha de Ventura, permitindo ao adversário ocupar terreno político decisivo.

Apesar da derrota inicial da direita europeia no calendário eleitoral do ano, o episódio português fornece um quadro interpretativo útil para futuras disputas no continente. A ascensão inédita do Chega demonstra que responder às preocupações sociais e migratórias pode mobilizar novas coligações eleitorais, mas também evidencia que a vitória depende de unidade política e credibilidade programática ampla.

Para países lusófonos como Moçambique, onde debates sobre governação, custos de vida e representação política ocupam espaço crescente, o caso português oferece um exemplo concreto de como mudanças no comportamento eleitoral podem alterar equilíbrios institucionais e redefinir agendas públicas.

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