No primeiro dia do Fórum Económico Mundial, realizado na Suíça, o Presidente francês, Emmanuel Macron, destacou a crescente instabilidade global e a necessidade de uma Europa mais autónoma e estratégica, enquanto os líderes discutem respostas coletivas aos desequilíbrios mundiais.
Num contexto de mais de 60 conflitos armados registados em 2024 e de uma progressiva transição para formas de governação autocráticas, Macron alertou para um “mundo sem regras, onde o direito internacional é ignorado e prevalece a lei do mais forte”. Ele citou, entre outros exemplos, a guerra da Rússia contra a Ucrânia, conflitos no Médio Oriente e em África, ressaltando a fragilização do multilateralismo e a erosão da governança coletiva.
Macron apontou a concorrência dos Estados Unidos, denunciando acordos comerciais que prejudicam os interesses europeus e pressionam economicamente o continente através de direitos aduaneiros utilizados como instrumentos de força.
Sobre a China, alertou para capacidades excedentárias e práticas distorcivas que ameaçam setores industriais inteiros, enfatizando que controlos às exportações se tornaram ferramentas perigosas que podem desestabilizar o comércio global.
Em resposta, o Presidente francês defendeu mais cooperação internacional, mas também maior soberania económica e autonomia estratégica para a Europa, alertando que aceitar passivamente a lei do mais forte levaria à vassalização, enquanto uma postura puramente moral poderia resultar em marginalização.
Macron reiterou o compromisso europeu com um multilateralismo eficaz, servindo os interesses comuns de quem recusa a submissão à força. Ele mencionou ainda o envolvimento europeu no apoio ao Groenlândia, em solidariedade com a Dinamarca.
A França assumirá a presidência do G7, com o objetivo de restaurar o grupo como fórum de diálogo franco entre grandes economias, promovendo soluções coletivas e equilibrando os atuais desequilíbrios globais, que incluem sobreconsumação americana, sobrerinvestimento chinês e subinvestimento europeu.
Macron destacou a diferença entre proteção estratégica e protecionismo, defendendo o uso de instrumentos como o mecanismo anti-coerção sempre que as regras do comércio internacional não são respeitadas.
Ele apelou à implementação do princípio da preferência europeia em todos os setores a partir de 2026 e ao reforço dos instrumentos de defesa comercial face à sobrecapacidade asiática e às crescentes tensões internacionais.
Para reforçar a competitividade europeia, Macron apresentou três pilares:
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Proteção estratégica de setores críticos;
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Simplificação regulatória e do mercado único;
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Investimento em inovação e tecnologias estratégicas, incluindo IA, quântica, transição energética, defesa e segurança.
O Presidente reconheceu que o orçamento europeu atual é insuficiente e defendeu um aumento significativo do investimento público e privado em inovação, para reduzir desigualdades e fortalecer a autonomia europeia.
Macron concluiu sublinhando que a Europa continua a oferecer um ambiente seguro e atrativo para investidores, graças à previsibilidade, lealdade institucional e respeito pelo Estado de direito, destacando a necessidade de reformas e maior agilidade na tomada de decisões.
“Precisamos de mais crescimento e estabilidade, mas preferimos alcançá-los no respeito pela ciência e pelo Estado de direito, e não pela brutalidade”, afirmou, convidando investidores a considerarem a Europa — e a França — como destinos seguros hoje e no futuro.
Expectativas para hoje incluem:
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Continuação das discussões sobre investimento estratégico, equilíbrio global e cooperação multilateral, com foco na proteção de setores industriais e diversificação de parceiros comerciais.
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Debates sobre segurança energética, tecnológica e digital, inovação e fortalecimento da autonomia europeia.
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Monitoramento das respostas europeias às ameaças comerciais de Trump, incluindo mecanismos de proteção e cláusulas de salvaguarda.
O Fórum reforça a mensagem de que cooperar não é apenas evitar conflitos, mas assumir responsabilidade e construir soluções coletivas. A Europa procura consolidar-se como um bloco forte, autónomo e preparado para enfrentar desafios globais, garantindo crescimento económico sustentável, inovação tecnológica e estabilidade institucional.
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