Dois homens suspeitos de atuar como espiões chineses foram detidos em Camblanes-et-Meynac, uma vila tranquila a cerca de 15 km de Bordeaux, após levantar suspeitas entre os moradores locais. Os habitantes notaram atividades estranhas quando, após alugarem uma casa pelo Airbnb, os chineses instalaram uma grande antena parabólica no jardim, apontada para o céu, coincidindo com uma série de interrupções na internet da região.
As autoridades francesas, por meio da Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI), realizaram uma operação no último sábado, apreendendo uma grande quantidade de equipamentos de informática. Os homens, de 27 e 29 anos, foram interrogados em Paris e estão agora acusados de “fornecer informações a uma potência estrangeira com potencial de prejudicar os interesses da França”. Eles permanecem sob custódia enquanto a investigação prossegue.
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Anuncie aqui!Segundo o Ministério Público, os suspeitos haviam chegado à França no mês anterior com vistos de trabalho, declarando-se engenheiros em uma empresa de comunicações sem fio. Dois outros homens de origem chinesa, residentes na França, também foram acusados de prestar auxílio na operação. As investigações indicam que os suspeitos tentavam captar dados do Starlink, rede de satélites do empresário Elon Musk, assim como informações de entidades vitais, incluindo instalações militares, para retransmiti-las à China.
Este não é um caso isolado no sudoeste francês. No verão passado, uma engenheira chinesa de 51 anos foi detida em Boulogne-sur-Gesse, suspeita de interceptar sinais da estação terrestre Issus-Aussaguel, nas proximidades de Toulouse. Em dezembro, um pesquisador em matemática do Institut de Mécanique et d’Ingénierie da Universidade de Bordeaux foi investigado por supostamente permitir que membros de uma delegação chinesa acessassem uma área restrita.
Especialistas alertam que a região é um alvo estratégico. Além de Issus-Aussaguel, que comunica com satélites militares franceses, há a base aérea de Bordeaux-Mérignac e instalações de grandes indústrias de defesa, como Airbus, Thales e Dassault. Jeremy André, especialista em espionagem asiática da Intelligence Online, explica: “Desde a Primeira Guerra Mundial, o sudoeste da França tem sido um polo vital para pesquisas de defesa. A China tem investido em criar uma rede de cooperação local que pode ser ativada sob demanda.”
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anuncie aqui!O caso de Camblanes-et-Meynac reflete uma tendência global: a espionagem industrial e tecnológica chinesa tem se intensificado em países ocidentais, visando informações estratégicas de defesa e telecomunicações. Casos semelhantes foram registrados nos Estados Unidos, onde investigadores detectaram tentativas de acesso a sistemas militares e de pesquisa avançada em universidades e bases sensíveis. No Reino Unido, autoridades prenderam suspeitos de interceptar dados de redes de satélites militares e corporativos, mostrando que a coleta de informações por vias aparentemente civis se tornou uma estratégia internacional sofisticada.
Enquanto isso, os moradores locais de Camblanes-et-Meynac receberam a notícia com surpresa. “Aqui geralmente recebemos artistas, não espiões”, comentou o prefeito Jean-Philippe Guillemeot. “Talvez eles só quisessem um lugar tranquilo para trabalhar.” A operação, no entanto, evidencia que mesmo áreas rurais e pacatas podem se tornar pontos de interesse em disputas de inteligência global.





