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Internacional/África – Ouganda: Bobi Wine rejeita resultados da eleição e convoca mobilização não-violenta contra repressão

Uma semana após a vitória oficial de Yoweri Museveni, o opositor denuncia fraudes, massacres de civis e perseguição à sua família, apelando à solidariedade africana e à atenção da comunidade internacional

Uma semana depois da eleição presidencial realizada em 15 de janeiro em Uganda, o opositor Bobi Wine rejeitou publicamente os resultados que deram vitória ao presidente Yoweri Museveni e denunciou um cenário de repressão e violência sistemática. Em entrevista à RFI, ele afirmou estar em fuga, com sua vida e a de sua família ameaçadas, enquanto acusou o governo de fraudes eleitorais massivas e de violência contra seus partidários.

“Estou vivo… devo ser felicitado por ter sobrevivido até aqui. Mas não estou seguro. Estou sendo perseguido pelo exército, sem ter cometido crime algum. Minha família também não está segura: estão cercados pelo exército, não podem sair e ninguém pode entrar. Eles estão com fome e até os alimentos que tentamos entregar são recusados”, relatou Bobi Wine.

Desde o dia da eleição, Bobi Wine afirma que há um “massacre silencioso” em andamento. Segundo ele, mais de 100 pessoas foram mortas em várias regiões do país, e três vice-presidentes de seu partido, o National Unity Platform (NUP), estão detidos, incluindo duas mulheres cujo paradeiro ainda é desconhecido.

Ele descreve o episódio ocorrido no distrito de Butambala, onde dez de seus apoiadores foram mortos, incluindo oito mulheres encarregadas de preencher e consolidar os formulários de resultados eleitorais (DR forms):

“Elas estavam na casa de um político, no dia da eleição, quando a polícia chegou e as executou. Não havia justificativa, apenas sua função política de compilar os resultados”, explicou.

O governo classificou os partidários de Bobi Wine como “terroristas”, mas o opositor refuta, afirmando que se tratava de cidadãos cumprindo funções eleitorais legítimas.

Bobi Wine alega possuir provas concretas de fraude antes, durante e depois da eleição. Ele afirma ter vídeos mostrando policiais, militares e membros da Comissão Eleitoral preenchendo votos a favor de Museveni.

“Apesar disso, estávamos à frente. Então a Comissão decidiu não considerar os formulários e fabricou números oficiais. Desafiamos a publicação dos resultados por distrito, mas eles não o fizeram, porque sabem que não têm provas”, disse.

Diante da parcialidade do sistema judicial, ele descartou recorrer à justiça:

“Não confiamos na justiça em Uganda. Ela é controlada por Museveni. Prisões políticas não têm liberdade sob fiança e decisões da Suprema Corte são ignoradas pelo exército. Nosso foco está no povo, que deve se levantar contra essas absurdidades.”

Bobi Wine convocou desobediência civil e manifestações não-violentas, assim como formas criativas de protesto, até que o governo ceda à pressão popular.

“Não estamos pensando em 2031 nem no próximo ano. Nosso objetivo imediato é restaurar a democracia e libertar o país do poder imposto por Museveni”, afirmou.

O opositor também fez um apelo aos populares em outros países africanos enfrentando regimes autoritários, destacando a importância de solidariedade e aprendizado mútuo:

“Os povos que vivem sob outras ditaduras devem olhar para Uganda. Sofremos da mesma maneira e podemos apoiar uns aos outros amplificando nossas vozes.”

Bobi Wine dirigiu ainda críticas à comunidade internacional, acusando um duplo padrão:

“É inaceitável condenar ditadores como Loukachenko ou Maduro, mas apoiar regimes autoritários africanos. Direitos humanos, democracia e Estado de direito devem ser universais. Queremos ser tratados como parceiros iguais.”

O governo de Museveni, no poder desde 1986, enfrenta crescente resistência popular, com denúncias frequentes de violência policial e militar contra opositores, além de restrições à liberdade de imprensa e internet. O cenário atual evidencia um clima de repressão intensa, com a comunidade internacional sob pressão para reagir e garantir transparência eleitoral e respeito aos direitos humanos.

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