O tribunal do distrito central de Seul condenou, nesta quinta-feira, o ex-presidente Yoon Suk-yeol à prisão perpétua, em decisão histórica que reconhece sua responsabilidade como instigador de um golpe de Estado. O julgamento, acompanhado em 43 audiências ao longo de dez meses, determinou que Yoon havia decretado lei marcial em 3 de dezembro de 2024, sendo destituído do cargo em abril de 2025 e encarcerado em julho do mesmo ano.
O juiz Jee Kui-youn destacou que mesmo um presidente em exercício pode gerar uma insurreição ao tentar perturbar o funcionamento dos órgãos constitucionais, enfatizando a gravidade de ter enviado o exército ao Parlamento para impedir o acesso de parlamentares. A sentença equipara-se àquela aplicada ao ex-presidente Chun Doo-hwan, condenado pela instauração da lei marcial em 1980 e pela repressão violenta que se seguiu.
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Outros altos membros do governo também receberam penas severas: o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun foi condenado a 30 anos, o ex-chefe da polícia nacional Cho Ji-ho a 12 anos, enquanto o ex-primeiro-ministro Han Duck-soo e o ex-ministro do Interior Lee Sang-min receberam 23 e 7 anos de reclusão, respectivamente.
A sociedade sul-coreana acompanhou o veredito em tempo real, gerando manifestações divergentes. Partidários de Yoon expressaram incredulidade e raiva, enquanto grupos progressistas celebraram a decisão, refletindo um clivagem política e social profunda, como noticiou o Hanguk Kyongje. O jornal observou que a prioridade da população agora é o surgimento de um liderança capaz de unificar o país.
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anuncie aqui!O Partido Democrático, atualmente no poder sob o presidente Lee Jae-myung, considerou a pena insuficiente, enquanto o Partido do Poder do Povo (PPP), de Yoon, enfrenta crise interna e perspectiva de derrota nas eleições locais de 3 de junho, com pesquisas apontando 23% contra 46% do Partido Democrático. Analistas alertam que esta é uma última oportunidade para o PPP se distanciar da extrema direita e reconstruir sua imagem política.
Paralelamente, especialistas em ciência política de várias partes do mundo propuseram em janeiro que o povo sul-coreano seja indicado ao Prêmio Nobel da Paz, como reconhecimento da chamada “revolução da luz”, que restaurou a ordem constitucional entre dezembro de 2024 e início de 2026. O movimento popular sul-coreano, segundo o documento enviado ao Comitê Nobel, conseguiu reestabelecer o Estado de direito, a participação cidadã e a não-violência, evitando guerra civil, repressão em massa ou conflito internacional.
O caso Yoon Suk-yeol simboliza um marco histórico para a Coreia do Sul: demonstra que nenhum líder está acima da lei e que o engajamento civil e a força das instituições podem preservar a democracia mesmo em momentos de crise extrema.





