Entre os dias 11 e 15 de fevereiro, as forças ucranianas conseguiram recuperar 201 km² de território ocupado pelo exército russo, em uma das ofensivas mais rápidas desde junho de 2023, segundo análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Esse avanço ocorre em um momento em que observadores militares russos relataram interrupções nas antenas Starlink, usadas pelo Kremlin para manter comunicações e coordenação das tropas na linha de frente.
Especialistas do ISW indicam que as contra-ofensivas ucranianas provavelmente se beneficiaram do bloqueio do acesso russo ao Starlink, prejudicando o comando e controle do inimigo. Desde o dia 5 de fevereiro, foi constatada a interrupção do serviço, após anúncios de Elon Musk sobre medidas para impedir o uso da tecnologia por Moscou. Os drones russos, antes auxiliados por Starlink para contornar sistemas de interferência, tiveram sua capacidade reduzida, segundo relatos ucranianos.
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Anuncie aqui!Durante essa semana, a Rússia só conseguiu pequenos avanços no dia 9 de fevereiro, enquanto os demais dias registraram ganhos significativos por parte de Kiev, concentrados especialmente a cerca de 80 km a leste da cidade de Zaporizhzhia, área de intensa movimentação militar desde o verão de 2025. Até meados de fevereiro, Moscou controlava 19,5% do território ucraniano, contra 18,6% um ano antes. Cerca de 7% do território, incluindo a Crimeia e parte do Donbass, já estava sob domínio russo antes da invasão em grande escala iniciada em fevereiro de 2022.
Para contornar a perda de Starlink, a Rússia testa sistemas alternativos de comunicação stratosférica, como o aeróstato Barrage-1, capaz de transportar equipamentos 5G para redes não terrestres (NTN). No entanto, especialistas apontam que um único aeróstato não substitui a constelação de satélites em órbita baixa, desempenhando apenas um papel complementar em um sistema de comunicação multicamadas.
Enquanto isso, a população civil paga o preço mais alto do conflito. Em 2025, mais de 2.200 civis foram mortos e 12.000 feridos em toda a Ucrânia, um aumento de 26% em relação ao ano anterior, tornando 2025 o ano mais mortal desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. Os ataques, muitas vezes indiscriminados, atingiram tanto áreas próximas ao front quanto cidades muito distantes, como Dnipro, em 24 de junho, com 21 mortos e 314 feridos, e Ternopil, em 19 de novembro, com 38 mortos, incluindo oito crianças.
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anuncie aqui!Organizações como Action on Armed Violence alertam que esses números refletem um colapso das normas de contenção no conflito, incluindo a violação do princípio da proporcionalidade em tempo de guerra. O uso massivo de bombardeios contra infraestrutura civil, denunciado pela ONU, privou milhões de ucranianos de acesso a água e eletricidade, intensificando o sofrimento das populações.
A violência não poupa ninguém, e especialistas apontam que a erosão das regras de guerra é um fenômeno que se estende para além da Ucrânia, afetando conflitos em locais como Sudão e Gaza, onde civis igualmente sofrem com ataques indiscriminados. A situação evidencia que, apesar dos avanços estratégicos de Kiev, a guerra continua cobrando um alto preço humano, enquanto a escalada tecnológica e militar transforma o conflito em uma batalha de informação, logística e resistência civil.





