O presidente da Banque Africaine de Développement apresenta a NAFA como instrumento central de soberania financeira, enquanto líderes africanos definem as diretrizes de desenvolvimento e segurança para 2026.
No domingo, 15 de fevereiro de 2026, em Addis-Abeba, o presidente do Grupo da Banque Africaine de Développement, Dr. Sidi Ould Tah, proferiu sua primeira alocução oficial perante a Conferência de Chefes de Estado e de Governo da União Africana. Durante seu discurso, apresentou a Nova Arquitetura Financeira Africana (NAFA) como um mecanismo estratégico para mobilizar recursos em grande escala e fortalecer a soberania financeira do continente africano.
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Anuncie aqui!Em um discurso voltado para a ação, Dr. Ould Tah afirmou que a África possui ambição e planos claros para seu desenvolvimento, citando o Agenda 2063, os pactos nacionais de energia, acordos comerciais e planos de infraestrutura como instrumentos que fornecem direção e visão estratégica. Para ele, o desafio não reside na escassez de recursos, mas na arquitetura do risco e do capital, que precisa ser reorganizada de forma eficiente para permitir que a África avance em suas prioridades de desenvolvimento.
O presidente explicou que a visão estratégica da BAD, estruturada nos chamados Quatro Pontos Cardeais, com a NAFA como instrumento central, permitirá ao continente implementar de forma eficaz os objetivos do Agenda 2063. Ele enfatizou que a NAFA representa uma reorganização deliberada da mobilização e alocação de capitais, promovendo uma transição da fragmentação à coordenação, das transações isoladas a um sistema integrado e da dependência de capitais externos para uma verdadeira soberania financeira africana.
O 39º Summit da União Africana, realizado nos dias 14 e 15 de fevereiro em Addis-Abeba, abordou o tema “Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objetivos do Agenda 2063”. Durante o encontro, o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, foi eleito presidente em exercício da UA para 2026, sucedendo o presidente angolano João Lourenço. Os líderes africanos congratularam Dr. Ould Tah por sua eleição à presidência da BAD, destacando sua capacidade de orientar a instituição na execução de um agenda de transformação e integração continental. Eles solicitaram um relatório nos próximos seis meses sobre a operacionalização da NAFA.
O summit também tratou de questões de segurança. Mahmoud Ali Youssouf, presidente da Comissão da UA, reafirmou que a União Africana não tolerará mudanças de poder anticonstitucionais, mesmo em países do Sahel, como Mali, Níger e Burkina Faso, onde a proliferação de grupos terroristas representa um desafio significativo. Nesse contexto, uma plataforma comum de 18 países foi anunciada para tratar das questões de segurança e fortalecer a cooperação regional, incluindo a luta antiterrorista.
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anuncie aqui!O novo presidente da UA, Évariste Ndayishimiye, destacou a importância de fortalecer a posição global da África diante de desafios crescentes, como tensões econômicas, efeitos do mudança climática e crises de segurança contínuas. Mahmoud Ali Youssouf destacou que o continente precisa acelerar sua industrialização, transformar o setor agrícola em pilar de suas economias, explorar o potencial energético e investir em infraestrutura de alto desempenho, condições essenciais para garantir o crescimento econômico esperado.
Conflitos em andamento também foram debatidos. Sobre a República Democrática do Congo, Ndayishimiye ressaltou a importância da implementação dos acordos de paz de Washington e do papel central da União Africana na mediação do conflito, evitando que atores externos assumam a liderança. Adeoye Bankole, chefe do Departamento de Assuntos Políticos, Paz e Segurança, detalhou que, em negociações paralelas ao summit, oito acordos foram assinados, incluindo medidas de desarmamento e desmobilização de combatentes, e que todos os envolvidos foram instados a pôr fim às hostilidades.
A União Africana também reafirmou sua solidariedade ao povo palestino e reconheceu a colonização como crime contra a humanidade. Ao final do summit, o presidente ganense John Dramani Mahama anunciou que seu país apresentará à Assembleia Geral das Nações Unidas, em março de 2026, uma resolução para reconhecer a trata de escravos africanos como o mais grave crime contra a humanidade, reforçando o compromisso do continente com a memória histórica e a justiça internacional.





